Epidemia

Gripe ou covid-19? Especialistas explicam diferenças e prevenção

Casos de influenza, o vírus da gripe comum, fora de época têm se alastrado pelo país e preocupado população e autoridades sanitárias

O aumento de casos de síndrome gripal tem alarmado população e autoridades sanitárias pelo país. Já são nove estados com epidemias confirmadas de diferentes tipos de vírus influenza, em especial, a variante H3N2. No Distrito Federal, ainda não foi registrado surto da doença, mas a semelhança entre os sintomas da gripe comum e da covid-19 podem atrapalhar o rastreamento e tratamento de ambas as infecções.

Em entrevista ao Correio, a infectologista Ana Helena Germoglio explica que, em geral, os sintomas de ambas as doenças são muito semelhantes, com a diferença que, nos casos de gripe, o quadro é mais acentuado desde o começo. “Na gripe é mais comum um quadro com febre alta, por exemplo. Então, para fechar o diagnóstico é preciso fazer o teste de laboratório. Até porque as duas podem dar quadros muito leves ou muito graves”, detalha.

A informação é corroborada pelo médico Alexandre Cunha, infectologista da rede Sabin. “Não é possível diferenciar os sintomas de influenza dos sintomas de covid. São muito parecidos, principalmente nas fases iniciais, e, mesmo evoluindo para um quadro mais grave, os dois podem evoluir para uma insuficiência respiratória”.

Ele comenta que a gripe “é muito sintomática” e que pode gerar um afastamento das pessoas de suas atividades rotineiras. Mas, para ela, já existe uma medicação comprovadamente eficaz que pode reduzir o período de duração do mal estar.

“Na influenza, assim como na covid, é importante acompanhamento médico desde o início para monitorar a evolução. A necessidade de intervenção em ambiente hospitalar é quando cai a saturação de oxigênio. No caso específico da influenza, a gente tem um medicamento que pode ser usado precocemente e pode abreviar a duração dos sintomas em um a dois dias para permitir um retorno mais rápido ao trabalho”, explica.

Prevenção

Os surtos de influenza chegam ao Brasil na esteira da preocupação com a variante Omicron da covid-19. De acordo com Ana Helena Germoglio, pesquisas já previam que, com a redução da transmissão do coronavírus, e consequente relaxamento das medidas de proteção, uma epidemia de gripe pudesse surgir.

“Essa é mais uma prova de que a ciência está correta. O vírus da influenza encontrou um cenário muito propício, quase uma conjunção de fatores a favor dele e contra nós. Tivemos uma população sem a imunidade natural (já que a principal cepa em circulação é o H3N2, uma linhagem nova), com baixa cobertura vacinal e diminuição do uso de máscara e das medidas de distanciamento”, detalha.

Segundo ela, chamou a atenção o fato de que o aumento no número de casos tenha ocorrido nos meses de novembro e dezembro. “Essa não é a época de circulação de influenza. É no meio do ano, na época mais fria”, comenta indicando que pode ser um indício de uma virose ‘importada’ dos países do hemisfério norte.

Felizmente, segundo os médicos, a rota para diminuir o impacto de mais essa doença infectocontagiosa é bastante conhecida. “Retornar o uso de máscara, caprichar na higienização das mãos e fazer a testagem”, recomenda Germoglio. “São exatamente as mesmas medidas que a gente vem divulgando há dois anos para covid-19, higiene de mãos, máscara, distanciamento, todas valem para os vírus de transmissão respiratória”, corrobora Cunha.

Mesmo que a gripe comum seja menos letal para jovens adultos saudáveis, prevenir o alastramento dela é uma forma de fazer justiça com quem é mais vulnerável e passou todo esse tempo se privando do convívio social para evitar a covid-19. “Começou a ter sintomas gripais, o ideal é se recolher, se for criança, não ir pra creche, evitar visitar idosos e pessoas imunossuprimidas e procurar assistência médica para fazer o diagnóstico correto”, reforça Germoglio.

Vacinação

Desde julho, a vacina contra três tipos de gripe (H1N1, H3N2 e Influenza B) está disponível para qualquer pessoa com mais de seis meses de idade na rede pública de saúde. Para saber se ainda há doses e em que Unidade Básica de Saúde (UBS) é possível se imunizar, basta procurar informações com a secretaria de saúde local.

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