Pandemia

70% dos pacientes de covid longa apresentam dificuldades de concentração

O estudo foi realizado com 181 pacientes de covid longa e foi publicado, na quarta-feira (16/3), na revista Frontiers in Aging Neuroscience

Cerca de 70% dos pacientes de covid longa apresentam dificuldades de concentração e problemas de memória vários meses depois da infecção por Sars-CoV-2, segundo um estudo da Universidade de Cambridge, no Reino Unido. As pessoas que levaram mais tempo para curar da infecção apresentaram o pior desempenho em testes cognitivos e 75% daquelas com sintomas contínuos graves da doença relataram que não conseguiram trabalhar por um período prolongado.

O estudo foi realizado com 181 pacientes de covid longa e foi publicado, na quarta-feira (16/3), na revista Frontiers in Aging Neuroscience. Entre os participantes, 78% relataram dificuldade de concentração; 69% confusão mental; 68% esquecimento, e 60% problemas para encontrar a palavra certa na fala. Esses sintomas autorrelatados foram refletidos no resultado dos testes cognitivos, onde os pacientes apresentaram uma capacidade significativamente menor de lembrar vocábulos e imagens.

Para ajudar a entender a causa dos problemas cognitivos, os pesquisadores analisaram outros sintomas que podem estar associados. Eles descobriram que as pessoas que sofreram de fadiga e sintomas neurológicos, como tontura e dor de cabeça, durante a doença inicial, eram mais propensas a apresentar problemas cognitivos mais tarde. Os cientistas também constataram que aqueles com sequelas no sistema nervoso central se saíam particularmente mal nos testes cognitivos.

Preocupante

"Esta é uma evidência importante de que, quando as pessoas dizem que estão tendo dificuldades cognitivas pós-covid, elas não são necessariamente o resultado de ansiedade ou depressão", disse, em nota, Muzaffer Kaser, pesquisador do Departamento de Psiquiatria da Universidade de Cambridge. "Os efeitos são mensuráveis — algo preocupante está acontecendo", alertou o psiquiatra. "Dificuldades de memória podem afetar significativamente a vida diária das pessoas, incluindo a capacidade de executar seu trabalho adequadamente."

Entre as descobertas, está a de que, mesmo entre aqueles que não foram hospitalizados, os sobreviventes que apresentaram sintomas iniciais mais severos da doença infecciosa eram mais propensos a ter uma variedade de sinais da covid longa, incluindo náusea, dor abdominal, aperto no peito e problemas respiratórios, semanas ou meses depois. Essas condições foram mais brandas em jovens com menos de 30 anos e pacientes cuja enfermidade inicial foi leve. 

 

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