Astronomia

Aumentam evidências de que satélite de Júpiter pode abrigar vida

Europa é um dos locais mais propícios para procurar vida alienígena porque os cientistas detectaram sinais de oxigênio e água, além de substâncias que podem servir como nutrientes

Paloma Oliveto
postado em 20/04/2022 06:00 / atualizado em 20/04/2022 08:13
 (crédito: NASA/JPL-Caltech/SETI Institute/Divulgação )
(crédito: NASA/JPL-Caltech/SETI Institute/Divulgação )

O satélite Europa, de Júpiter, é o principal candidato à vida extraterrestre em nosso sistema solar, e seu oceano profundo de água salgada tem cativado os cientistas há décadas. Mas esse complexo é abrangido por uma "concha" de gelo, que pode ter quilômetros a dezenas de quilômetros de espessura, tornando a amostragem do material desafiadora. Agora, evidências crescentes revelam que a superfície congelada pode ser uma barreira menos complexa, e um local de habitabilidade potencial, por si só.

Europa é um dos locais mais propícios para procurar vida alienígena porque os cientistas detectaram sinais de oxigênio e água, além de substâncias que podem servir como nutrientes. No entanto, a camada de gelo da lua — que se estima ter cerca de 24km de espessura — serve como uma barreira entre o líquido e o elemento químico, que é gerado pela interação da luz solar com partículas carregadas que atingem a superfície gelada.

Agora, uma equipe liderada pela Universidade do Texas (UT), em Austin, afirma que a água salgada dentro da concha gelada de Europa pode estar transportando oxigênio para um oceano líquido, onde a vida alienígena seria possível. A teoria foi proposta por outros cientistas, mas apenas recentemente os pesquisadores a testaram, construindo a primeira simulação computacional do processo, na qual o oxigênio pega carona sob os "terrenos do caos" da lua de Júpiter — paisagens compostas de rachaduras, cumes e blocos congelados.

Transporte

Os resultados mostram que não apenas o transporte é possível, mas que a quantidade de oxigênio levada para o oceano de Europa pode estar no mesmo nível da existente nos oceanos da Terra, hoje. "Nossa pesquisa coloca esse processo no reino do possível", disse o pesquisador principal, Marc Hesse, professor do Departamento de Ciências Geológicas da UT. "O modelo fornece uma solução para o que é considerado um dos problemas pendentes da habitabilidade do oceano subterrâneo de Europa." O estudo foi publicado na revista Geophysical Research Letters.

Se a vida como a conhecemos existe nesse oceano, precisa haver uma maneira de o oxigênio chegar até ela. De acordo com Hesse, o cenário mais plausível — com base nas evidências disponíveis — é que o oxigênio seja transportado pela água salgada, ou salmoura. Os cientistas pensam que terrenos caóticos se formam acima de regiões onde a camada de gelo de Europa derrete parcialmente para formar a salmoura, que pode se misturar com o oxigênio da superfície. O modelo computacional criado mostrou que isso é possível.

Segundo o coautor Steven Vance, pesquisador do Laboratório de Propulsão a Jato da Agência Espacial Norte-Americana, o resultado do trabalho aumenta a esperança sobre o potencial do oxigênio para sustentar a vida no mar escondido do satélite de Júpiter. "É tentador pensar em algum tipo de organismo aeróbico vivendo logo abaixo do gelo", disse ele. Segundo Vence, a próxima missão Europa Clipper da Nasa, agendada para 2024, pode ajudar a melhorar as estimativas da presença deste elemento químico e de outros ingredientes para a vida na lua gelada. 

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