Medicina

Temperaturas mais frias inibem crescimento de tumores em camundongos

Estudo de especialistas Instituto Karolinska, na Suécia, aparece como uma nova alternativa no tratamento de câncer

Camilla Germano
postado em 04/08/2022 13:20 / atualizado em 04/08/2022 13:57
 (crédito: Reprodução/Inmet)
(crédito: Reprodução/Inmet)

As temperaturas mais frias conseguiram dificultar o crescimento de células cancerígenas em camundongos, segundo uma pesquisa de especialistas do Instituto Karolinska, na Suécia.

Os resultados do estudo foram publicados na revista científica Nature, na quarta-feira (3/8), e demonstram que as temperaturas mais frias ativam a gordura marrom, que faz parte do tecido adiposo e produz calor que consome os açúcares que os tumores precisam para prosperar. Ou seja, o tecido adiposo marrom compete com os tumores pela glicose e essa ação pode inibir o crescimento de tumores.

Os pesquisadores compararam o crescimento do tumor e de taxa de sobrevivência de camundongos com vários tipos de câncer, quando expostos em condições quentes e frias. Aqueles animais que ficaram expostos a uma temperatura de 4°C apresentaram crescimentos mais lentos dos tumores e viveram o dobro do tempo em comparação aos que ficaram expostos a uma temperatura de 30°C.

Foram analisados marcadores no tecido adiposo marrom para estudar as reações celulares e os pesquisadores usaram exames de imagem para examinar o metabolismo da glicose. Normalmente, as células cancerígenas necessitam de grandes quantidades de glicose para crescer.

A gordura marrom é um tipo de gordura responsável por manter o corpo aquecido durante as condições de frio e os pesquisadores perceberam que as temperaturas frias desencadearam uma absorção significativa de glicose no tecido adiposo marrom.

Para comprovar a teoria, os pesquisadores removeram a gordura marrom ou uma proteína crucial para o metabolismo, chamada UCP1, e o efeito benéfico da exposição ao frio foi essencialmente eliminado: os tumores cresceram em um ritmo semelhante aqueles que foram expostos a temperaturas mais altas. Da mesma forma, quando os camundongos portadores de tumores receberam bebidas com alto teor de açúcar, o efeito das temperaturas frias também foi minimizado e o tumor voltou a crescer. 

Testes em humanos

A relevância dos resultados no organismo dos seres humanos também foi testada. Sete voluntários participaram: um deles com câncer e que fazia quimioterapia e os outros seis eram saudáveis. Foram feitas tomografias por emissão de pósitrons (PET) que revelaram uma quantidade significativa de gordura marrom ativada no pescoço, coluna e tórax de adultos saudáveis, que usavam shorts e camisetas enquanto eram expostos a uma temperatura ambiente de 16 °C por até seis horas por dia durante duas semanas.

Já o paciente com câncer usava roupas leves e ficou em uma sala com temperatura de 22°C por uma semana e depois em uma sala com temperatura de 28°C por quatro dias. Assim, os exames de imagem mostraram o aumento da gordura marrom e redução da captação de glicose do tumor durante a temperatura mais baixa em razão da mais alta.

"Estamos, portanto, otimistas de que a terapia fria e a ativação do tecido adiposo marrom com outras abordagens, como medicamentos, possam representar outra ferramenta no tratamento do câncer", ressalta Yihai Cao, um dos autores da pesquisa. 

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