DESCOBERTA

Nova "Terra" é descoberta a 146 anos-luz de distância

Astrônomos identificam planeta rochoso com ano de 355 dias e chances reais de abrigar água líquida. Conheça o exoplaneta HD 137010 b

Exoplaneta candidato HD 137010 b, apelidado de
Exoplaneta candidato HD 137010 b, apelidado de "Terra fria" por ser um possível planeta rochoso ligeiramente maior que a Terra, orbitando uma estrela semelhante ao Sol a cerca de 146 anos-luz de distância - (crédito: NASA/JPL-Caltech/Keith Miller (Caltech/IPAC))

Astrônomos identificaram um novo planeta rochoso do tamanho da Terra que está localizado na chamada zona habitável da estrela, região onde, em teoria, a água pode existir em estado líquido. Chamado de HD 137010 b, o exoplaneta — que orbita estrelas fora do Sistema Solar — está a cerca de 146 anos-luz da Terra e apresenta aproximadamente 50% de chance de ter condições compatíveis com a existência de água, segundo um estudo publicado na revista The Astrophysical Journal Letters, em 27 de janeiro.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O CORREIO BRAZILIENSE NOGoogle Discover IconGoogle Discover SIGA O CB NOGoogle Discover IconGoogle Discover

Siga o canal do Correio no WhatsApp e receba as principais notícias do dia no seu celular

A descoberta foi feita a partir da análise de dados coletados em 2017 pelo telescópio espacial Kepler, da Nasa, e envolve pesquisadores da Austrália, Reino Unido, Estados Unidos e Dinamarca. O planeta orbita uma estrela semelhante ao Sol, embora um pouco mais fria e menos brilhante, influenciando suas condições climáticas.

Com tamanho cerca de 6% maior que o da Terra, o HD 137010 b, também apelidado de "Terra Fria" completa uma volta ao redor de sua estrela em aproximadamente 355 dias, um período muito próximo ao ano terrestre. Essa órbita, aliada à distância em relação à estrela, levou os cientistas a classificarem o planeta como um possível "meio-termo entre a Terra e Marte".

Apesar disso, as estimativas indicam que a temperatura de sua superfície pode ser bastante baixa. Como a estrela que ele orbita emite menos luz e calor do que o Sol, o planeta receberia menos de um terço da energia que chega à Terra. Com isso, a temperatura média pode ficar abaixo de -70ºC, semelhante ou até inferior às condições observadas em Marte.

Segundo a pesquisadora Chelsea Huang, da Universidade do Sul de Queensland, uma das autoras do estudo, a descoberta chama atenção principalmente pela proximidade relativa do planeta. "O que é realmente empolgante é que ele está a apenas cerca de 150 anos-luz do nosso sistema solar. Outros planetas do tamanho da Terra em zonas habitáveis costumam estar muito mais distantes e são bem mais difíceis de observar", afirma. 

O HD 137010 b foi detectado pelo método de trânsito, quando o planeta passa brevemente em frente à sua estrela e provoca uma pequena queda no brilho observado. Eles rastrearam o tempo que a sombra do planeta levou para se mover pela face da estrela. Neste caso, 10 horas, enquanto a Terra leva cerca de 13. 

Curiosamente, o sinal inicial foi identificado por cientistas cidadãos, incluindo um estudante do ensino médio, que analisavam dados do projeto Planet Hunters, iniciativa que convida voluntários a ajudar na busca por novos mundos.

Apesar do clima ser gélido, o exoplaneta também pode se revelar um mundo temperado ou até mesmo aquático. Cientistas explicam que ele precisaria de uma atmosfera mais rica em dióxido de carbono do que a nossa. 

No entanto, os pesquisadores reforçam que o objeto ainda é considerado um planeta candidato. Apenas um trânsito foi observado até agora, o que significa que novas medições são necessárias para confirmar definitivamente sua existência e refinar as estimativas sobre suas condições ambientais. 

Para a astrofísica Sara Webb, da Universidade de Swinburne, que não participou do estudo, a descoberta é “empolgante”, mas deve ser vista com cautela. Ela lembra que, mesmo sendo relativamente próximo em termos astronômicos, o planeta ainda está fora do alcance de qualquer exploração direta. “Se tentássemos chegar lá com a tecnologia atual, levaríamos dezenas ou até centenas de milhares de anos”, ressalta.

 

  • Google Discover Icon
postado em 29/01/2026 15:10
x