PESQUISA CIENTÍFICA

Pesquisa brasileira mostra que lixo levou óleo do Nordeste à Florida

Estudo feito pela Universidade Federal do Ceará (UFC) mostra que óleo viajou 8.500 mil km de um continente para o outro em um período de 240 dias

Um estudo realizado no Brasil mostrou que o óleo derramado no oceano é capaz de percorrer grandes distâncias ao ser transportado por lixo plástico. Conduzida pelo Instituto de Ciências do Mar (Labomar) da Universidade Federal do Ceará (UFC), a pesquisa concluiu que a substância, nociva aos ecossistemas marinhos, percorreu 8.500 mil km do oceano nordestino até a Flórida. A "carona" durou 240 dias. 

De acordo com o estudo, divulgado nesta quarta-feira (28/1), o óleo, espalhado na costa do Nordeste do país em 2019, "raramente viaja a mais de 300 km da fonte". No entanto, conseguiu o feito. Como consequência, gerou um novo alerta para governança global oceânica.  

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O transporte do material ocorreu graças à presença de uma grande quantidade de garrafas de vidro e de plástico com tampa. Elas foram parcialmente ou totalmente cobertas pelo resíduo. Entre o fim de maio e o mês de setembro de 2020, chegaram à região de Palm Beach, na Flórida. 

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Segundo a pesquisa, foram feitos registros da chegada dos materiais diariamente por vários meses, e "em uma quantidade fora do comum". Quando portadoras de rótulos legíveis, as garrafas traziam inscrições em português, inglês e espanhol. 

Além disso, uma coincidência serviu como motivação aos pesquisadores a expandir os estudos. Fardos de borracha também apareceram na costa de Palm Beach, no mesmo ano. Eles eram semelhantes aos encontrados no Nordeste, em 2019. Assim, surgiu a intenção de verificar se as duas situações estariam, ou não, conectadas. 

Com a hipótese comprovada, o grupo publicou a pesquisa em um artigo na revista americana Environmental Science & Technology. Dessa forma, comprovaram que o lixo marinho, em especial ao plástico, pode vir a se tornar como responsável por contaminar ecossistemas de diferentes lugares com petróleo. A questão foi chamada de "efeito aditivo de contaminantes". 

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