CIÊNCIA

Pesquisa brasileira cria embalagem biodegradável com pele de peixe

Biofilme feito com resíduos da aquicultura apresenta resistência e proteção UV, mas ainda é sensível à umidade. Resultados foram publicados na revista científica Foods e na Agência FAPESP

Estudo da Embrapa e da USP aponta potencial do biofilme de pele de tambatinga como alternativa ao plástico -  (crédito: Fábio Rosa Sussel/divulgação)
Estudo da Embrapa e da USP aponta potencial do biofilme de pele de tambatinga como alternativa ao plástico - (crédito: Fábio Rosa Sussel/divulgação)

Pesquisadores brasileiros desenvolveram um biofilme biodegradável a partir da pele de um peixe amazônico que pode representar uma alternativa sustentável aos plásticos usados em embalagens de alimentos. O material, produzido com resíduos da aquicultura, alia desempenho técnico e redução de impacto ambiental, ao mesmo tempo em que agrega valor a uma matéria-prima antes descartada.

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O estudo foi conduzido por pesquisadores da Embrapa Pecuária Sudeste, em São Carlos, em parceria com a Universidade de São Paulo (USP), e utilizou como base a pele da tambatinga — espécie resultante do cruzamento entre o tambaqui e a pirapitinga. Rica em colágeno, a pele desse peixe apresenta características favoráveis à extração de gelatina e à produção de polímeros biodegradáveis.

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Por ter origem tropical, a tambatinga pode apresentar maior concentração de aminoácidos na pele, o que contribui para melhorar as propriedades funcionais e estruturais da gelatina obtida. A partir desse material, os pesquisadores produziram filmes finos e flexíveis com potencial de uso em embalagens de alimentos.

A pesquisa integra trabalhos apoiados pela FAPESP no âmbito do Centro de Pesquisa em Alimentos (FoRC), um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs) da Fundação. O objetivo é desenvolver materiais capazes de substituir, ainda que parcialmente, os filmes sintéticos derivados do petróleo, amplamente utilizados pela indústria de embalagens.

O processo começou com a limpeza das peles dos peixes, seguida da extração da gelatina por meio de água quente e ácido acético, etapa necessária para remover impurezas. Na produção dos filmes, foram utilizadas proporções específicas de gelatina em solução, resultando em um material transparente, flexível e com superfície uniforme.

Os testes indicaram que o biofilme apresenta boa resistência mecânica, capacidade de bloquear raios ultravioleta e menor permeabilidade ao vapor de água quando comparado a outros materiais similares à base de gelatina já descritos na literatura científica. Os resultados reforçam o potencial da pele de peixe, geralmente tratada como resíduo industrial, como fonte renovável para biopolímeros de alto valor agregado.

Apesar do desempenho positivo, o material ainda apresenta limitações. A principal delas é a sensibilidade à umidade, o que restringe, neste momento, sua aplicação a produtos desidratados, como nozes e castanhas.

Segundo os pesquisadores, a continuidade dos estudos é essencial para ampliar as possibilidades de uso do biopolímero em embalagens de alimentos, além de aplicações nas áreas farmacêutica e biomédica. A proposta também contribui para fortalecer a cadeia produtiva da aquicultura, ao promover o reaproveitamento de resíduos e estimular práticas mais sustentáveis.

Os resultados do estudo foram publicados no periódico científico Foods e na Agência FAPESP. 

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postado em 28/01/2026 11:40
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