Três perguntas para Cláudia Schimidt, endocrinologista do Hospital Israelita Albert Einstein (SP)

Por que o excesso de peso deixa o organismo mais vulnerável a micro-organismos? 

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Existem vários mecanismos que poderiam contribuir para isso. Um deles é pela própria questão das comorbidades. A obesidade frequentemente se associa a um risco maior de outras doenças, como diabetes que, por si só, já aumenta o risco de infecção e de gravidade da condição. Também pode haver uma sobrecarga pulmonar mais intensa, e, se a pessoa tem uma pneumonia, é possível que essa infecção avance mais rápido e que isso gere um impacto maior para a oxigenação do sangue. Além disso, a pessoa com obesidade tem um quadro de uma inflamação crônica de baixo grau e isso gera algumas disfunções no nosso corpo e — uma delas na parte imunológica. Assim, o paciente pode ficar mais suscetível a infecções e para casos mais graves. 

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Na prática, emagrecer pode fortalecer a imunidade?

Com a perda de peso, a gente acaba tendo um risco menor de diabetes, da pressão alta, de perda funcional. Então, melhora de padrão de alimentação, controle de gatilhos, questão de estresse, de sono ruim, tudo pode influenciar muito. Aqui, eu gostaria de reforçar que, quando a gente fala de realizar exercícios físicos, especialmente pensando na parte metabólica, a gente sabe que uma caminhada já ajuda bastante. Estar ativo, se mexer é um fator muito importante na questão do controle da obesidade e das suas complicações. A gente vive numa fase em que se fala muito da imunidade como sendo algo facilmente manipulável por suplementos, mas, na verdade, a imunidade é algo muito mais complexo e multifatorial. E fatores como se alimentar bem, ser ativo, ter um peso saudável, ter hábitos favoráveis, contribuem significativamente para a redução de risco de infecções e de morte por infecções. 

O que o estudo significa para a saúde pública?

Hoje, é inegável o quanto a obesidade é uma questão de saúde pública. Porém, ela ainda é uma doença tabu. Nós temos pouquíssimas ferramentas disponíveis para tratamento da obesidade na saúde pública, e estamos falhando miseravelmente na prevenção da condição, sociedade. Isso vai desde a questão da indústria alimentícia, passando por educação e saúde. Quando a pessoa tem obesidade, dificilmente consegue na saúde pública uma consulta com o nutricionista; nós não temos medicamentos antiobesidade disponíveis na rede pública. Temos a cirurgia bariátrica, mas o acesso é extremamente restrito. Então, esses dados reforçam o quanto que a obesidade impacta em custos, em mortalidade precoce, em perda de dias de vida e de capacidade laboral. Isso tudo é muito importante quando a gente fala em saúde pública. Gastar, hoje, com obesidade poderia prevenir custos no futuro. Quanto mais dados nós tivermos nesse sentido, maior a probabilidade de a obesidade começar a ser tratada adequadamente em termos de saúde pública. (PO)


 

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postado em 10/02/2026 05:03
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