
O estudo liderado pela University College London, no Reino Unido, também avaliou 925 diagnósticos diferentes de infecções bacterianas, virais, parasitárias e fúngicas, classificadas por tipo de agente e gravidade. A obesidade esteve associada a maior risco na maioria das categorias analisadas, especialmente do para doenças infecciosas de pele e tecidos moles, com aumento de aproximadamente 2,8 vezes entre pessoas com excesso de peso.
Para Sars-Cov2, causador da covid-19, a elevação do risco foi de cerca de 2,3 vezes. Também houve aumento para pneumonia, infecções do trato respiratório inferior, infecções urinárias e gastrointestinais. Duas exceções chamaram a atenção dos autores: não foi observada associação significativa com HIV ou tuberculose. Os pesquisadores sugerem que esses resultados estejam relacionados a características próprias dessas doenças, incluindo a perda de peso como parte do quadro clínico.
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Embora o estudo seja observacional — e, portanto, não estabeleça causalidade direta — os pesquisadores destacam que há plausibilidade biológica para a associação encontrada. "É plausível que a obesidade enfraqueça a capacidade do sistema imunológico de se defender contra bactérias, vírus, parasitas ou fungos infecciosos, resultando, portanto, em doenças mais graves", destacou, em nota, Mika Kivimäki, do University College London (Reino Unido), que liderou o estudo. "Evidências de ensaios clínicos com medicamentos para perda de peso à base corroboram essa hipótese, visto que a redução da obesidade também parece diminuir o risco de infecções graves. Porém, pesquisas adicionais são necessárias para confirmar os mecanismos subjacentes a essas associações."
Inflamação
"A pessoa com obesidade apresenta inflamação crônica de baixo grau, e o tecido adiposo em excesso mantém o sistema imunológico em um estado constante de alerta, o que compromete a resposta a novos invasores", explica Carlos Aurelio Schiavon, cirurgião geral e bariátrico e presidente do Instituto Obesidade Brasil. "Além disso, problemas como a resistência à insulina e a sinalização desregulada de substâncias importantes para a defesa do organismo ocorrem na obesidade e prejudicam a defesa do hospedeiro por si só."
Para o médico, a pesquisa publicada na The Lancet traz perspectiva sobre a obesidade. "Historicamente, a obesidade tem sido ligada quase exclusivamente a doenças não transmissíveis ou, pior ainda, a questões estéticas", diz. "Esse estudo a posiciona como um fator de risco também para doenças transmissíveis, principalmente para infecções cutâneas e respiratórias, mostrando que ela aumenta o risco de hospitalização e morte por uma vasta gama de patógenos (bactérias, vírus, fungos e parasitas)." Com isso, Schiavon destaca a importância das vacinas. "Sugere-se que as políticas de vacinação considerem pessoas com obesidade como grupos de alto risco prioritários, dada à sua maior vulnerabilidade a desfechos graves." (PO)
