A saúde íntima masculina, comumente, é tratada como algo secundário e, muitas vezes, até banalizada por conta de estigmas e tabus enraizadas na sociedade. Esses preconceitos podem acabar prejudicando um diagnóstico precoce de doenças fatais, entre elas o câncer de pênis, que em 4 anos foi responsável por mais de 2,9 amputações do órgão genital no Brasil.
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Segundo números do Ministério da Saúde, entre 2021 e 2025, além das quase 3 mil amputações, foram registradas ao menos 2,3 mil mortes em decorrência desse tipo de câncer. Com dados tão alarmantes, é importante reforçar alguns cuidados importantes para a prevenção da doença.
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Em entrevista ao Correio, o médico urologista do Hospital Sírio-Libanês de Brasília, Alexandre Cavalcante, aponta alguns do cuidados essenciais de prevenção. “As principais medidas de prevenção são higiene íntima diária adequada, tratamento da fimose para aqueles pacientes que não conseguem expor a glande e retrair o prepúcio, vacinação contra o Papilomavírus Humano (HPV), uso de preservativo e principalmente realização do autoexame”, explica. Ele também destacou que é importante procurar um médico em qualquer sinal de ferida no órgão.
Com o HPV é preciso manter o alerta dobrado, pois o vírus está diretamente associado à boa parte dos casos. A vacinação previne a infecção pelos principais subtipos da doença e reduz a circulação do vírus na população, sendo uma das estratégias mais eficazes na prevenção primária.
É necessário também se atentar em detalhes como pequenas feridas que não cicatrizam, surgimento de verrugas, manchas e mau cheiro persistentes. Esses indicadores podem significar que é melhor procurar um especialista para uma melhor avaliação. O urologista ressalta que muitas vezes o câncer de pênis é indolor, fazendo com que muitas vezes o paciente negligencie a doença.
Para o urologista Alexandre Cavalcante a falta de informação somada a vergonha e o medo de julgamentos, muitas vezes leva os homens a evitar o assunto e postergar uma procura por atendimento.
“Outro problema frequente é que muitos pacientes subestimam alterações iniciais, tentando tratar as lesões com pomadas por conta própria e sem recomendação médica”, disse. “Esse atraso faz com que muitos casos sejam diagnosticados em estágios avançados, quando os tratamentos são mais complexos e mutiladores.”
*Estagiário sob supervisão de Paulo Leite
