O bilionário Elon Musk anunciou uma mudança nos planos da empresa SpaceX para a colonização de Marte. A projeção antes vista como um objetivo central, foi colocada em segundo plano em favor de um projeto que mira a construção de uma cidade na Lua. A decisão, anunciada nesse domingo (8/2) por meio de uma publicação na rede social X, reflete uma revisão estratégica dos desafios técnicos e logísticos das ambições interplanetárias da empresa.
Ao detalhar a mudança de foco, Musk afirmou que a construção de uma “cidade autocrescente” na Lua pode ser alcançada em menos de uma década, um prazo considerado mais realista do que a criação de uma colônia marciana, que envolveria janelas de lançamento restritas e viagens de longa duração. A cada 26 meses, quando Terra e Marte se alinham favoravelmente, seria possível realizar uma missão ao planeta vermelho, com duração de cerca de seis meses, um intervalo e um tempo de viagem que complicam a logística de um assentamento humano sustentável. Em contraste, missões à Lua podem ser lançadas com maior frequência a cada cerca de 10 dias e levar apenas dois dias para chegar ao satélite natural da Terra.
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O bilionário e a empresa agora pretendem concentrar esforços na criação de infraestrutura lunar com objetivos imediatos mais acessíveis. Entre os planos está a preparação para um pouso lunar não tripulado previsto para março de 2027, etapa inicial que serviria de base para a expansão da presença humana e de tecnologias de suporte à vida no ambiente lunar.
Musk deixou claro que a visão de enviar humanos a Marte permanece nos planos da empresa. Segundo a nova estratégia anunciada, as atividades voltadas para uma futura cidade marciana devem começar dentro de cinco a sete anos, depois que os esforços iniciais na Lua estiverem mais avançados.
A mudança representa uma guinada na trajetória da SpaceX, que por muito tempo apresentou Marte como a meta da exploração espacial privada, com cronogramas ambiciosos que muitas vezes eram antecipados por Musk nas redes sociais e em entrevistas. A revisibilidade dessas projeções e a complexidade das missões fizeram com que a empresa considerasse as prioridades, optando por um objetivo que pode ser testado, iterado e ampliado com mais rapidez a partir da órbita terrestre.
Especialistas em dinâmica orbital e logística de missões destacam que a Lua, por sua proximidade e pela menor complexidade de viagem, oferece um campo de testes mais acessível para sistemas que um dia poderão ser aplicados em futuras missões a Marte ou além. O acordo da SpaceX com a NASA no âmbito do programa Artemis, que prevê o retorno de astronautas ao solo lunar nos próximos anos, reforça esse novo foco, com a empresa envolvida no desenvolvimento de elementos essenciais da logística lunar.
A alteração de rumo, embora represente um adiamento da "aspiração" de colonização marciana, mostra a competitividade crescente na exploração espacial, com países e empresas privadas disputando protagonismo em destinos como a Lua, que não recebe humanos desde a missão Apollo 17, em 1972.
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