SAÚDE ÍNTIMA

Câncer cervical pode ser evitável, diz especialista; saiba como se prevenir

Desenvolvida na região do colo uterino, doença é um dos cânceres mais comuns entre mulheres

Diagnósticos de câncer de colo de útero podem ser 100% evitáveis. Desenvolvida na região do colo uterino feminino, a condição, também chamada de câncer cervical, é um dos três tipos de câncer mais comuns entre as mulheres. De acordo com a Associação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), a doença é a primeira que mais mata mulheres até os 36 anos de idade no Brasil, e a segunda em pacientes até os 60 anos, segundo dados de  2025. No entanto, a enfermidade pode ser facilmente evitada. 

Em entrevista ao Correio, a oncologista e integrante da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) Gabrielle Scattolin ressalta que a prevenção contra a doença não passa por complexidades. Segundo ela, a realização regular do exame de papanicolau para detecção de lesões precursoras (prevenção secundária), e do diagnóstico de infecção crônica pelo HPV, são suficientes para para que a doença não se desenvolva. 

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"O câncer do colo de útero, na maioria das vezes, vem de lesões pré-malignas. Essas lesões podem ser detectadas justamente através do Papanicolau. Elas acontecem por causa da infecção crônica de HPV, que desestabiliza e modifica a estrutura do útero. Assim, causa danos ao DNA e favorece o crescimento anormal das células que formam o câncer", explicou Gabrielle. 

A oncologista ainda ressaltou que, em casos de diagnósticos precoces, ou seja, "antes que eles invadam estruturas locais ou façam metástase à distância", a doença passa a ser completamente curável. "Por isso enfatizamos a importância da vacina, do diagnóstico de infecção crônica pelo HPV e do Papanicolau anual, mas, principalmente do HPV. Quase todos os cânceres de colo de útero estão relacionados a isso", explicou. 

Cenário social é fator a ser considerado  

Ainda que o acompanhamento constante com especialistas venha a ser um diferencial no combate contra o câncer de colo de útero, há ainda, de acordo com Gabrielle, um fator social que influencia o número de casos e óbitos em decorrência da doença. A vacina contra o HPV, fundamental na prevenção, só passou a ser distribuída de forma gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em 2014. Dessa forma, toda uma geração de mulheres adultas não está vacinada.  

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"Com isso, surgem certos subtipos de HPV para essas pacientes sem vacina expressivamente mais agressivos. Eles evoluem de forma mais rápida, e, mesmo com o preventivo anual, a situação pode acabar em câncer. Para que consigamos ter combate eficaz, precisamos, também, ter acesso aos exames pelo SUS, principalmente o Papanicolau e a pesquisa de DNA do HPV, além de campanhas informativas, que falem sobre os sintomas e o tratamento", salientou. 

Apesar disso, a oncologista comemora a incidência da vacinação entre a população mais jovem. De acordo com ela, a cobertura vacinal entre as jovens está acima de 80%, cenário propenso a diminuir o número de casos da doença para as próximas gerações.  

"A vacinação tem que ser oferecida a todas, dos 9 aos 14 anos de idade, e ainda estendida às mais velhas, até os 45 anos de idade, para as mulheres imunossuprimidas. O papanicolau também ajuda a identificar a presença do DNA do HPV com antecedência", destacou. 

A especialista também salienta a necessidade de manter acompanhamento ginecológico regular; evitar tabagismo, responsável por aumentar o risco de persistência da infecção por HPV; usar preservativos;  buscar informações de qualidade sobre saúde sexual; e estar atenta aos sintomas, "especialmente ao sangramento pós-relação sexual, o principal deles", finaliza.  

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