Uma nova tecnologia desenvolvida no estado do Tocantins propõe um caminho diferente no combate ao mosquito da dengue. Em vez de inseticidas químicos, a solução aposta no controle biológico e em inovação tecnológica para reduzir a proliferação do Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya.
A proposta foi criada pela WASI Biotech, startup fundada em 2023 no Norte do país, e consiste em uma armadilha produzida em impressora 3D com material biodegradável. O dispositivo atrai o mosquito e o infecta com o fungo Metarhizium anisopliae, um agente biológico que não oferece riscos a humanos nem aos animais domésticos.
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Ao entrar em contato com o fungo, o inseto tem sua expectativa de vida reduzida e também perde parte da capacidade de transmitir doenças. A lógica da solução não é eliminar o mosquito por meio de venenos, mas interromper o ciclo de transmissão de forma mais sustentável e ambientalmente segura.
A tecnologia está em fase de testes e amadurecimento científico antes de ser aplicada em larga escala. A ideia surgiu no ambiente universitário e avançou a partir de pesquisas acadêmicas na área de saúde e medicina tropical. Um dos fundadores da empresa é Walmirton D’Alessandro, doutor em Medicina Tropical e pós-doutor em Assistência e Avaliação em Saúde, explica que o projeto passou por validações conceituais, testes laboratoriais e agora avança para estudos de campo controlados.
Controle biológico e inovação tecnológica
O principal diferencial da armadilha está no uso do controle biológico como estratégia de saúde pública. Em vez de combater o vetor com produtos químicos, o sistema utiliza um agente natural que já ocorre no ambiente e é estudado pela ciência há décadas.
Além disso, a impressão 3D permite a produção em escala com baixo custo e adaptação a diferentes territórios. A tecnologia também pode incorporar sensores capazes de medir temperatura, umidade, pressão atmosférica e outras variáveis ambientais, criando dados úteis para políticas de vigilância em saúde e prevenção de surtos.
Esse modelo permite o controle do mosquito e o monitoramento das condições que favorecem sua proliferação, fortalecendo ações preventivas em vez de respostas emergenciais.
O projeto recebeu apoio do programa Centelha, iniciativa voltada ao incentivo à inovação científica e tecnológica no Brasil.
A proposta não substitui outras ações de combate ao mosquito, como saneamento básico, eliminação de focos de água parada e campanhas educativas, mas se soma a elas como uma alternativa tecnológica e sustentável.
* Estagiária sob supervisão de Luiz Felipe
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