ENVELHECIMENTO

Teste simples com cadeira antecipa riscos de perda de autonomia em idosos

Estudo com acompanhamento de oito anos mostra que avaliação simples pode antecipar riscos de declínio funcional de pessoas idosas

Um teste rápido feito apenas com uma cadeira e um cronômetro, pode indicar se uma pessoa idosa corre risco de perder a própria autonomia nos anos seguintes. É o que revela uma pesquisa conduzida por cientistas da Universidade Federal de São Carlos em parceria com a University College London, que acompanhou mais de 2,3 mil idosos ao longo de oito anos no Reino Unido.

O estudo utilizou dados do English Longitudinal Study of Ageing, uma das maiores pesquisas de acompanhamento da saúde de pessoas idosas no mundo, e foi publicado em 2025 no Journal of the American Medical Directors Association. Os pesquisadores analisaram a relação entre desempenho físico e perda de independência em atividades cotidianas, como se vestir, tomar banho, sair de casa, usar transporte público e cuidar da própria rotina. A pesquisa teve como autora principal a gerontóloga Roberta de Oliveira Máximo, da UFSCar, foi coordenada pelo professor Tiago da Silva Alexandre, também da universidade paulista, e contou com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, a FAPESP.

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O foco foi o chamado "Teste Sentar e Levantar", no qual a pessoa precisa se levantar e sentar cinco vezes seguidas em uma cadeira, no menor tempo possível. Os resultados mostraram que idosos que levam mais de 11,5 segundos para completar o movimento apresentam risco maior de desenvolver limitações funcionais nos anos seguintes, mesmo quando ainda não demonstram dificuldades no dia a dia.

A pesquisa comparou esse teste simples com uma bateria mais ampla de avaliações físicas, que inclui equilíbrio, velocidade da caminhada e força muscular. A conclusão foi que o teste isolado tem praticamente a mesma capacidade de previsão da bateria completa, o que o torna uma ferramenta acessível para uso em consultas rápidas e avaliações de rotina.

Segundo os autores, o movimento de se sentar e levantar envolve múltiplas funções do corpo, como força muscular, coordenação, equilíbrio e condicionamento cardiorrespiratório. Quando essas capacidades começam a se alterar, o corpo passa a emitir sinais precoces de fragilidade funcional, mesmo antes de surgirem dificuldades visíveis nas atividades diárias.

Os pesquisadores também ajustaram os critérios de avaliação e identificaram que tempos mais rígidos aumentam a sensibilidade do teste para detectar riscos precoces. Isso permite que profissionais de saúde atuem antes do surgimento de limitações mais graves, com intervenções preventivas como exercícios físicos, fisioterapia e mudanças no estilo de vida. “Mesmo idosos considerados saudáveis podem apresentar sinais iniciais de risco funcional. Identificar isso cedo permite agir antes da perda de autonomia”, afirma Roberta.

A principal contribuição do estudo é mostrar que a prevenção da perda de independência pode começar com gestos simples e acessíveis. Um teste de poucos segundos, aplicado a partir dos 60 anos, pode se transformar em uma ferramenta estratégica para promover envelhecimento saudável, autonomia e qualidade de vida ao longo do tempo.

*Estagiária sob supervisão de Luiz Felipe

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