
Duas perguntas para Fernando Vidigal, oncologista do Hospital Brasília e diretor regional da Oncologia Américas em Brasília
Há risco de que alguns casos de câncer passem despercebidos ao substituir a biópsia pelo PET/CT com PSMA em certos pacientes?
Sim, esse é um ponto importante. Embora o PET/CT com PSMA seja muito sensível e específico, ele ainda não substitui completamente a biópsia na maioria das situações. A biópsia continua sendo o padrão-ouro para confirmar o diagnóstico de câncer. O que os estudos recentes sugerem é que, em cenários muito específicos e bem selecionados, o exame pode ajudar a reduzir o número de biópsias desnecessárias. Mas qualquer estratégia de evitar biópsia precisa ser adotada com cautela e dentro de protocolos clínicos bem definidos.
Esse tipo de exame poderá ser aplicado para outros tumores no futuro?
A medicina nuclear e a chamada “imagem molecular” estão avançando rapidamente. O princípio do PET com marcadores específicos para determinadas proteínas tumorais já vem sendo estudado em outros tipos de câncer, como tumores neuroendócrinos, câncer de mama e alguns tumores cerebrais. Portanto, é bastante provável que no futuro tenhamos cada vez mais exames desse tipo, capazes de identificar características biológicas dos tumores de forma mais precisa.
