
Uma equipe internacional de cientistas liderada pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Farroupilha, no Brasil, descobriu que a melhoria das paisagens ao redor de pequenas áreas remanescentes de florestas pode aumentar significativamente a capacidade do ambiente de abrigar espécies de aves. Segundo a pesquisa, publicada ontem na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, esse benefício é observado mesmo quando os fragmentos florestais são pequenos ou isolados.
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Durante décadas, a teoria ecológica tradicional tratou os remanescentes de habitat isolados como "ilhas", prevendo a sobrevivência das espécies principalmente com base no tamanho da área e no isolamento. Mas esses modelos negligenciaram a natureza da "matriz": as terras agrícolas, a vegetação ou as áreas abertas que circundam esses remanescentes de habitat. Conforme os cientistas, essa paisagem circundante é crucial, pois as espécies precisam atravessá-la, utilizá-la ou evitá-la ao se deslocarem entre áreas florestais.
O estudo, que envolveu pesquisadores do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Farroupilha, no Brasil, da Slippery Rock University, nos EUA, e da University of East Anglia (UEA), no Reino Unido, revela que mesmo pequenos aumentos na cobertura arbórea próxima ao fragmento de mata podem aumentar substancialmente o número de espécies de aves que sobrevivem nesse tipo de região. "O tamanho dos remanescentes de habitat não é tudo. Dois remanescentes florestais do mesmo tamanho podem abrigar números muito diferentes de espécies de aves — aqueles cercados por terras agrícolas com árvores próximas podem abrigar mais que o dobro de espécies do que remanescentes isolados dentro de reservatórios."
Para o trabalho, a equipe reuniu 58 cientistas de 19 países para analisar os resultados de 50 levantamentos de aves em grande escala em regiões tropicais e subtropicais das Américas, África e Ásia, todas áreas onde as paisagens naturais foram fortemente fragmentadas. O desenho singular do estudo comparou dois tipos de remanescentes: ilhas florestais criadas por reservatórios hidrelétricos, que representam a fragmentação de habitat mais extrema da Terra; e repartições inseridas em paisagens terrestres, frequentemente cercadas por terras agrícolas.
Os pesquisadores examinaram mais de mil remanescentes florestais — 336 ilhas e 669 fragmentos terrestres — e registraram quase duas mil espécies de aves em cerca de 40 mil ocorrências distintas. Entre elas, estavam: cinco espécies criticamente em perigo; 12 em perigo; 44 vulneráveis; 83 quase ameaçadas; e 1.810 de menor preocupação.
Comunidades
Os resultados revelaram que pequenos remanescentes florestais abrigaram significativamente mais espécies de aves quando cercados por alguma cobertura arbórea, em vez de água aberta. Paisagens com mais árvores ao redor circundante sustentaram comunidades de aves mais ricas em geral.
Os cientistas destacam que, embora a proteção das florestas remanescentes seja essencial, restaurar e melhorar as paisagens ao seu redor também é crucial. O plantio de árvores nativas, a restauração da vegetação degradada e a criação de terras agrícolas favoráveis à vida selvagem podem reduzir drasticamente os riscos de extinção local - o que, segundo os autores, é uma mensagem muito encorajadora, visto que as paisagens modificadas pelo homem agora cobrem mais da metade da superfície terrestre.
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