SAÚDE

Dor crônica está associada ao tabagismo, aponta estudo

Pessoas com dor crônica têm o dobro de chance de fumar, segundo pesquisa; especialistas defendem tratamentos integrados para quebrar a dependência

O incêndio consumiu totalmente os cômodos do local -  (crédito: Freepik/Reprodução)
O incêndio consumiu totalmente os cômodos do local - (crédito: Freepik/Reprodução)

Um estudo divulgado pelo jornal acadêmico American Journal of Preventive Medicine mostra que pessoas que sofrem com dor crônica têm maior propensão a consumir cigarros e dispositivos eletrônicos de nicotina. 

O estudo, feito por pesquisadores da Universidade do Kansas, analisou dados coletados ao longo de quase uma década pela Pesquisa Nacional de Entrevistas de Saúde (National Health Interview Survey) de 2014 a 2023, com mais de 195 mil participantes e indica que essa relação pode dificultar tanto o tratamento da dor, quanto o abandono ao tabagismo.

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A professora assistente de psicologia da Universidade de Kansas (KU) e coautora da pesquisa, Jessica Powers, comentou disse que “as pessoas ficam presas em um ciclo vicioso em que a dor leva ao tabagismo, o tabagismo piora a dor, o que torna muito difícil parar de fumar”. 

Ela explica que a dor muitas vezes leva ao consumo do tabaco, que tem propriedades analgésicas de curto prazo e que, mesmo a pessoa considerando útil no momento, essa ação possui efeito negativo a longo prazo. “Fumar tabaco pode piorar a dor e aumentar a probabilidade de desenvolver uma condição de dor crônica,” diz. 

Além disso, o levantamento aponta que pessoas com dor crônica têm cerca do dobro de chance de utilizar produtos derivados do tabaco, incluindo cigarros tradicionais e eletrônicos. Também foi observado que, nesse grupo, a redução no número de fumantes ocorre de forma mais lenta em comparação com a população geral.

Outro ponto destacado é o impacto emocional. A dor persistente pode afetar o bem-estar psicológico, favorecendo o uso do cigarro como mecanismo de enfrentamento. No entanto, essa estratégia tende a intensificar problemas de saúde física e mental, reforçando um ciclo de dependência.

O estudo também identificou que quanto mais intensa ou incapacitante é a dor, maior a probabilidade de consumo de nicotina. Em muitos casos, limitações causadas pela condição como dificuldade de realizar atividades cotidianas contribuem para o aumento do uso dessas substâncias.

Para os autores, os dados reforçam a necessidade de abordagens integradas no tratamento. A proposta é que estratégias para parar de fumar sejam combinadas com o manejo da dor crônica, ampliando as chances de sucesso terapêutico.

*Estagiária sob supervisão de Paulo Leite

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postado em 13/04/2026 18:23 / atualizado em 13/04/2026 18:24
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