
A revista científica The Lancet publicou, nesta terça-feira (12/5), um estudo internacional que propõe a mudança do nome da síndrome dos ovários policísticos (SOP) para síndrome metabólica poliendócrina dos ovários (SMPO). A alteração visa a representar de forma mais precisa os aspectos hormonais e metabólicos da condição, que afeta uma em cada oito mulheres no mundo.
Segundo os pesquisadores, o termo “síndrome dos ovários policísticos” é considerado impreciso por sugerir apenas a presença de cistos ovarianos, o que não ocorre em todos os casos. O nome atual também deixaria de refletir características importantes da doença, como alterações hormonais, metabólicas e reprodutivas, além de contribuir para diagnósticos tardios, atendimento fragmentado e estigmas relacionados à condição.
O processo de definição do novo nome envolveu um consenso internacional inédito, com participação de 56 organizações acadêmicas, clínicas e de pacientes. De acordo com o estudo, mais de 14 mil pessoas, entre pacientes e profissionais de saúde de diferentes regiões do mundo, participaram de pesquisas e consultas ao longo do processo.
Os especialistas afirmam que os termos “metabólica”, “poliendócrina” e “ovários” foram escolhidos para refletir a fisiopatologia multissistêmica da condição, ou seja, mostrar que a síndrome afeta diferentes sistemas do corpo, como os hormônios, o metabolismo e os ovários, e não apenas a presença de cistos ovarianos. A mudança também retira a referência aos “cistos”, considerada cientificamente inadequada para descrever a condição.
Ainda segundo os autores, uma estratégia global de implementação já está em andamento. O plano prevê um período de transição, ações de educação para profissionais e pacientes e adaptação dos sistemas de saúde e classificações médicas ao novo nome.
