COMPORTAMENTO

O mistério do giro: por que preferimos virar no sentido anti-horário

Pesquisa iniciada na pandemia notou um padrão no comportamento humano que independe de cultura ou gênero; a descoberta pode impactar a arquitetura

Registros de deslocamento revelam a predominância de viradas em sentido anti-horário em estudo sobre comportamento de pedestres -  (crédito: ©2026 Echeverría-Huarte et al. CC-BY-ND)
Registros de deslocamento revelam a predominância de viradas em sentido anti-horário em estudo sobre comportamento de pedestres - (crédito: ©2026 Echeverría-Huarte et al. CC-BY-ND)

Pesquisadores na Espanha e no Japão descobriram que a grande maioria das pessoas prefere virar no sentido anti-horário ao caminhar. A observação, que independe de fatores como cultura ou gênero, pode impactar áreas como design, engenharia e arquitetura.

O padrão foi notado pela primeira vez durante a pandemia de covid-19. Autoridades de saúde na Espanha criaram diretrizes de distanciamento social e pesquisadores da Universidade de Navarra analisavam o comportamento de pedestres para entender como incentivar a manutenção da distância em espaços públicos.

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Ao revisar os vídeos, a equipe se deparou com um detalhe inesperado. "Meus colegas perceberam, por acaso, que em 32 dos 33 testes, à medida que as pessoas se moviam e giravam, elas preferiam girar no sentido anti-horário", disse Claudio Feliciani, professor associado da Universidade de Tóquio.

A tendência surpreendeu os cientistas, que imaginaram que os giros ocorreriam de forma aleatória. Para entender o motivo, a pesquisa foi expandida com a colaboração da equipe de Feliciani no Japão, testando se fatores culturais poderiam influenciar a preferência.

Os experimentos foram realizados em ambientes abertos e fechados, observando pedestres em diferentes condições. Além da cultura, os pesquisadores investigaram o impacto do tamanho do grupo, gênero, lateralidade e idade.

“De tudo isso, o único fator que se destacou foi que as crianças tendem a ter uma preferência maior pelo sentido anti-horário, então provavelmente a idade desempenha um papel”, afirmou Feliciani. Segundo ele, a forte tendência em humanos sugere uma assimetria no nível biomecânico, algo que não é comum em outros animais.

A causa exata para essa preferência ainda é desconhecida. A equipe planeja realizar novos experimentos, desta vez com indivíduos em vez de grupos, para tentar identificar a origem biomecânica do comportamento.

Algumas hipóteses já foram testadas e parecem improváveis. “Provavelmente não vem dos olhos, porque tentamos tapar o olho esquerdo ou direito das pessoas e a tendência ainda estava lá”, explicou Feliciani. A influência da força de Coriolis ou do campo magnético da Terra também foi considerada improvável.

O pesquisador aponta paralelos interessantes com certos esportes, nos quais algumas competições de corrida e automobilismo são sempre realizadas em percursos no sentido anti-horário.

Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

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postado em 10/06/2026 17:23 / atualizado em 10/06/2026 17:23
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