ESPAÇO

Nasa descobre planetas gigantes com massa de 'algodão-doce'

Missão TESS identificou dois mundos "super puff" com tamanhos parecido ao de Júpiter, mas com massa bem menor

A missão TESS, da Nasa, encontrou dois planetas gigantes com uma característica que surpreendeu os astrônomos. Apesar de terem dimensões parecidas com as de Júpiter, eles possuem uma massa tão pequena que sua densidade é comparável à de “algodão-doce”.  

Os planetas receberam os nomes de TOI-791 b e TOI-791 c e orbitam uma estrela semelhante ao Sol localizada a cerca de 1.113 mil anos-luz da Terra. Os pesquisadores afirmam que eles são os planetas mais “inchados” já descobertos, um tipo raro conhecido como "super puff".  

O estudo foi publicado nesta sexta-feira (26/6) na revista científica Monthly Notices of the Royal Astronomical Society e conta que a descoberta foi possível graças ao TESS, telescópio espacial que procura exoplanetas observando pequenas quedas no brilho das estrelas. Quando um planeta passa em frente à sua estrela, ele bloqueia parte da luz, permitindo que os cientistas identifiquem a presença e calculem características como tamanho e órbita.

O que mais chamou atenção foi a composição desses mundos. O TOI-791 b tem praticamente o mesmo tamanho de Júpiter, mas com apenas cerca de 3% da massa. Já o TOI-791 c é ainda maior que Júpiter e possui menos de 6% da massa do planeta. Isso significa que eles são extremamente leves para o tamanho que apresentam.

Outra característica incomum está nas órbitas. Enquanto muitos exoplanetas conhecidos completam uma volta em poucos dias, o TOI-791 b leva 139 dias para contornar sua estrela e o TOI-791 c precisa de 232 dias. O TESS acompanhou esse sistema durante sete anos, reunindo mais de mil dias de observações até confirmar a existência dos dois planetas.  

Os cientistas também descobriram que os dois planetas exercem influência gravitacional um sobre o outro. Essa interação altera levemente o momento em que cada um passa em frente à estrela, permitindo calcular suas massas com mais precisão e confirmar que realmente são mundos de baixa densidade.  

Segundo a equipe responsável pelo estudo, esse tipo de planeta ainda é muito raro. Encontrar dois super puff no mesmo sistema torna a descoberta mais importante, já que ela pode ajudar a explicar como planetas gigantes conseguem se formar com tão pouca massa.  

Agora, os pesquisadores pretendem investigar a atmosfera desses mundos e entender quais gases compõem eles, como eles evoluíram ao longo do tempo e se migraram de outras regiões do sistema planetário.  

*Estagiária sob supervisão de Ronayre Nunes

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