
O desabafo de um pesquisador britânico nas redes sociais reacendeu o debate sobre os limites éticos no desenvolvimento de ferramentas de inteligência artificial (IA). Nessa terça-feira (8/9), Jacob Coxon viralizou ao anunciar que se demitiu após três anos atuando no pré-treinamento de sistemas das rivais Open AI e Anthropic. Segundo ele, ambas empresas agem de forma irresponsável no desenvolvimento da tecnologia.
“(As empresas) estão correndo diretamente para uma superinteligência auto aperfeiçoável e apostando com nossas vidas”, alertou Jacob em uma publicação que já foi vista por mais de 120 milhões de usuários do X. “Não subestime o poder desta tecnologia”.
I resigned from Anthropic today. I spent the last three years doing pretraining research at both OpenAI and Anthropic. Neither company is acting responsibly. They are racing straight to self-improving superintelligence and gambling with our lives. More thoughts below.
— Jacob Coxon (@hilbertspaess) September 9, 2026
De acordo com o pesquisador, que agora teme os impactos da tecnologia que ele mesmo ajudou a criar, as ferramentas de IA logo serão capazes hackear qualquer outro sistema e adquirir poder e recursos reais.
O alerta surge poucos meses após uma “rebelião” de sistemas da Open AI ser detectada e a Anthropic sugerir uma pausa global no desenvolvimento de ferramentas de modelos que poderiam escapar ao controle humano.
Humanidade em risco
Coxon afirma que o acelerado desenvolvimento das IAs representam um nível de perigo como nenhuma outra atividade humana. “As pessoas que constroem as IAs acreditam sinceramente que ela poderia matar a todos até o final da década. Isso não é uma jogada de marketing”, declara.
Ele afirma que mesmo os executivos e pesquisadores seniores das empresas expressam medo sobre o destino da tecnologia.
“Na OpenAI, muitos não internalizaram profundamente os riscos civilizacionais. Na Anthropic, os riscos são bem compreendidos, mas eles estão presos em uma corrida para chegar lá primeiro — acreditam que ninguém mais agirá de forma responsável, então devem fazer isso eles mesmos, apesar do risco”, acrescenta.
Aos pesquisadores que continuam atuando no desenvolvimento de ferramentas de IA, Coxon faz um apelo. “Eu insisto que vocês considerem como vão ser os próximos anos. Vocês querem lançar uma tecnologia super inteligente sem uma compreensão rigorosa de como ela funciona? Vocês devem baixar a cabeça porque ‘está acontecendo de qualquer maneira’ ou aproveitar este momento para pedir por condições diferentes?”, argumenta.
Quem é Jacob Coxon?
O nome do pesquisador de 27 anos, residente de São Francisco (EUA), aparece entre o time de principais colaboradores no desenvolvimento do sistema GPT-4o da Open AI. Não foi possível confirmar a atuação do britânico na Anthropic e nem encontrar um perfil no LinkedIn com registros da experiência profissional.
Em entrevista à revista Time, Coxon afirma que a demissão das duas empresas onde trabalhou foi motivada pela crescente aceleração do desenvolvimento das IAs e a falta de controle das empresas responsáveis.
Os temores do pesquisador foram corroborados por Evan Hubinger, líder da equipe de testes da Anthropic. No perfil do X, ele afirma que os temores pela espécie humana entre os desenvolvedores de IA são reais.
Jacob is correct here—we really do earnestly believe AI could kill all humans! I personally think it is >10% within the next decade. I believe Anthropic is trying its best, but we do not yet have a plan to solve alignment for superintelligence and are not clearly on track to. https://t.co/QAIHiFP3QZ
— Evan Hubinger (@EvanHub) September 9, 2026
- Leia também: Como detectar um deepfake?
“Nós realmente acreditamos que a IA pode matar seres humanos”, declara. Hubinger calcula que o risco é maior que 10% dentro dos próximos dez anos. “Acredito que a Anthropic está fazendo o seu melhor, mas ainda não temos um plano para resolver o alinhamento para superinteligência e não estamos claramente no caminho certo para isso”, acrescenta.
A Open AI e a Anthropic não comentaram o caso até o momento.
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