
A praticidade de pedir comida pelo celular já faz parte da rotina de boa parte dos adultos avaliados por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Em um grupo de 839 participantes, 76,52% afirmaram já ter recorrido a aplicativos de entrega de alimentos, enquanto 27,10% disseram utilizar as plataformas pelo menos uma vez por semana.
O estudo também identificou entre os usuários uma maior presença de comportamentos sedentários, como longos períodos sentados, menor nível de atividade física e menos tempo dedicado a tarefas domésticas.
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A relação ficou mais evidente entre aqueles que passam boa parte do dia sentados. Permanecer nessa posição durante oito horas ou mais esteve associado ao dobro da prevalência de uso regular das plataformas, na comparação com participantes que ficavam sentados por até três horas diariamente.
A pesquisa foi desenvolvida pela doutoranda do Programa de Pós-graduação em Nutrição e Saúde Paloma Aparecida Anastacio Barros, sob orientação das professoras Paula Martins Horta e Daniela Canella, e publicada, em 3 de stemebro deste ano, na revista científica Journal of Food Sciences and Nutrition. O trabalho buscou traçar o perfil de quem utiliza serviços digitais de alimentação e observar possíveis relações com características sociodemográficas, estado nutricional e hábitos de vida.
Os dados são provenientes do projeto Coorte de Universidades Mineiras (CUME+), dedicado ao acompanhamento de hábitos de vida e alimentação de adultos egressos de instituições de ensino superior de Minas Gerais e das universidades federais do Espírito Santo (UFES), do Rio Grande do Sul (UFRGS) e do Paraná (UFPR).
Nesta etapa, foram analisados participantes que já acumulavam oito anos de acompanhamento e responderam a questões sobre a frequência dos pedidos e os alimentos adquiridos, além de fornecer informações sobre rotina, características sociodemográficas e estado nutricional.
Rotina diante das telas
Entre os participantes que recorriam aos aplicativos, 40,03% tinham entre 30 e 39 anos e 77,10% trabalhavam em período integral. O levantamento também encontrou uma rotina com elevada exposição às telas e pouco tempo reservado às tarefas de casa.
Do total de usuários, 48,13% dedicavam entre uma e duas horas por dia às atividades domésticas, enquanto 31,46% gastavam menos de uma hora. Os pesquisadores também observaram maior utilização dos serviços entre trabalhadores em tempo integral, ao passo que pessoas desempregadas ou em ocupações informais apresentaram menor frequência de pedidos.
Uma das hipóteses apresentadas no estudo é que esses grupos podem ter mais disponibilidade para preparar alimentos em casa e, diante de limitações financeiras, encontrar maior dificuldade para arcar com os serviços de entrega. De forma geral, o uso dos aplicativos apareceu associado a fatores como menor idade, maior renda, emprego em período integral, inatividade física, excesso de tempo sentado e maior exposição a telas.
Para Paloma Barros, a expansão acelerada desse mercado merece atenção também pelo tipo de alimento que tende a ganhar maior visibilidade dentro das plataformas.
“Embora refeições nutricionalmente balanceadas estejam disponíveis nessas plataformas, os alimentos mais frequentemente oferecidos tendem a ser ricos em calorias, gordura, açúcar e sódio, como pizza, hambúrgueres, batatas fritas, doces e sobremesas e bebidas adoçadas com açúcar. Esses itens também são promovidos com mais intensidade por meio de estratégias de marketing persuasivas e descontos de preço”, explicou à agência de notícias da universidade.
O que chega à porta
Os pedidos não se restringem, contudo, a lanches e itens de fast food. Entre os usuários regulares, 51,7% relataram adquirir refeições completas, como arroz, feijão, carne e massa, em pelo menos metade das ocasiões. Hambúrgueres, pizzas, salgados e outros lanches apareciam nessa mesma frequência para 39,7% dos participantes.
As bebidas açucaradas foram incluídas em pelo menos metade dos pedidos por 12,7% dos entrevistados. Já as alcoólicas chegaram a 17,2% quando consideradas as pessoas que as solicitavam em menos da metade das ocasiões.
Alimentos frescos apareceram com bem menos frequência no carrinho virtual. Cerca de 92% disseram raramente pedir frutas ou saladas de frutas. No caso de açaí e sorvetes, a baixa frequência atingiu 73% dos participantes, enquanto 67,8% raramente recorriam aos aplicativos para comprar saladas, vegetais ou preparações feitas com alimentos frescos ou minimamente processados.
Considerando todos os entrevistados que já haviam experimentado esse tipo de serviço, a frequência mais recorrente era de dois a três pedidos por mês, relatada por 29,08%. O uso semanal ou mais frequente, adotado como referência para os usuários regulares, alcançou 27,10%.
Ciência e Saúde
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