Tratamento é individualizado e deve ser prescrito

Segundo a médica ginecologista e pesquisadora Fabiane Berta, de São Paulo, três mecanismos ajudam a entender a instabilidade emocional associada à fase de transição da menopausa .O estradiol participa da modulação do eixo do estresse, e quando oscila, o cortisol, conhecido como "hormônio do estresse", também pode acompanhar a variação, favorecendo períodos de ansiedade. Ao mesmo tempo, a queda da progesterona reduz a substância natural alopregnanolona e o tônus GABAérgico (espécie de freio biológico que regula e estabiliza a excitação dos neurônios), o que pode interferir na manutenção do sono e contribuir para despertares frequentes durante a noite.

O terceiro mecanismo envolve os receptores de estrogênio no cérebro. Com as oscilações hormonais, a densidade dessas macromoléculas pode aumentar como tentativa de compensação, enquanto o sistema nervoso se reorganiza. Essa adaptação ajuda a explicar episódios flutuantes de névoa mental, quando surgem esquecimentos, dificuldade de concentração ou a sensação de perder o raciocínio no meio de uma tarefa. "Esses três eixos conversam entre si", esclarece Fabiane Berta. Ansiedade piora o sono, dormir mal interfere na cognição e a dificuldade cognitiva aumenta a sensação de estresse. "Tratar cada manifestação como se fosse um problema isolado pode não resolver a origem do quadro. É um sistema que se retroalimenta e precisa ser compreendido de forma integrada", afirma a pesquisadora.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

Com base no resultado de um estudo que acompanhou 240 mulheres que iniciaram a terapia hormonal e tiveram melhoras nas alterações de humor, os autores, da NYU Grossman School of Medicine e da NYU Langone Health, concluíram que, quando iniciada por indicações aprovadas pelos órgãos regulatórios, o tratamento melhora os sintomas psicológicos e de sono.

Bruna Paschoalim,  ginecologista de São Paulo com atuação em saúde da mulher e reposição hormonal feminina, lembra que o tratamento é individualizado e sempre deve ser prescrito por um médico. "Quando falamos em terapia hormonal, não existe uma resposta única para todas as mulheres. O tratamento precisa levar em conta a idade, o momento da menopausa, os sintomas, o histórico de saúde e os possíveis riscos e benefícios para aquela paciente", reforça. (PO)

  • Google Discover Icon

Tags

postado em 03/11/2026 05:01
x