Rinoplastia

Técnica evoluiu e busca uma relação mais equilibrada entre nariz e face

Estudos com 855 pessoas mostrou que a maioria dos pacientes submetidos à técnica que preserva a estrutura anatômica ficou satisfeito com o resultado estético, além de relatarem melhora funcional

Durante décadas, a rinoplastia esteve associada à ideia de reduzir o nariz. Afinar a ponta, diminuir o dorso e retirar partes das estruturas nasais eram procedimentos comuns em uma época em que o padrão estético valorizava narizes menores e com características semelhantes. A evolução das técnicas, porém, mudou a maneira como os cirurgiões encaram a operação.

 

Hoje, dependendo das características do paciente e do resultado pretendido, o procedimento pode envolver preservação, remodelamento, sustentação ou até aumento de determinadas estruturas. O objetivo é encontrar uma relação mais equilibrada entre o nariz e o restante da face, sem necessariamente apagar suas características individuais.

Revisão 

Uma revisão sistemática publicada neste ano na revista Aesthetic Plastic Surgery analisou 13 estudos, que reuniram 855 pacientes submetidos à chamada rinoplastia de preservação. A técnica procura conservar estruturas anatômicas do nariz durante a cirurgia. Os trabalhos avaliados encontraram altos índices de satisfação dos pacientes, além de melhora funcional e baixas taxas de necessidade de nova cirurgia.

“A rinoplastia era muito mais ressectiva. Na maioria das vezes, diminuíamos e afinávamos o nariz retirando partes das estruturas. Hoje temos muito mais recursos para decidir o que deve ser modificado, preservado ou estruturado”, explica a otorrinolaringologista e especialista em cirurgia plástica facial Joana Tavares. Segundo ela, a mudança não ocorreu apenas no campo cirúrgico. O próprio conceito de beleza passou por transformações. Em vez de buscar um modelo único de nariz, a tendência atual é considerar as proporções da face, as características individuais e o resultado que o paciente deseja.

Manipulação

Outro aspecto da evolução da rinoplastia está relacionado à forma de manipular as estruturas nasais. Técnicas que procuram preservar tecidos e métodos mais precisos para o tratamento dos ossos podem contribuir para reduzir o trauma provocado pela cirurgia. 

É o caso da rinoplastia ultrassônica, que utiliza um dispositivo capaz de atuar sobre as estruturas ósseas com maior precisão. Segundo a especialista, a técnica pode contribuir para reduzir o edema e as equimoses — os conhecidos roxos que aparecem no período posterior à operação. “A cirurgia hoje é menos traumática. A rinoplastia ultrassônica, por exemplo, permite trabalhar o osso com mais precisão e pode contribuir para menos edema e equimoses no pós-operatório”, esclarece Tavares.

A evolução das técnicas também aumentou o controle do cirurgião sobre as estruturas modificadas. Ainda assim, o resultado continua sujeito a fatores individuais, especialmente relacionados à cicatrização. 

60+

A cirurgia deixou de estar restrita a pacientes jovens. Pessoas com mais de 60 anos podem procurar a rinoplastia tanto para realizar um desejo antigo quanto para corrigir mudanças provocadas pelo envelhecimento. “O nariz também envelhece. Com o passar dos anos, pode haver queda da ponta e alargamento. Em alguns pacientes, conseguimos até usar características do nariz da juventude como inspiração para o planejamento”, explica Joana Tavares.

A idade cronológica, segundo ela, não deve ser analisada isoladamente. A avaliação pré-operatória precisa considerar as condições clínicas do paciente e a presença de doenças que possam aumentar os riscos do procedimento. “Pacientes acima dos 60 anos podem ter hipertensão, diabetes ou outras condições, mas, estando clinicamente bem e com essas doenças controladas, a idade por si só não é uma restrição”, afirma.


 

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