
Após a faloplastia, cirurgia que utiliza tecidos do próprio corpo para criar um novo órgão genital, um dos desafios é conferir volume e contorno ao membro reconstruído. Uma técnica brasileira que busca enfrentar essa etapa será apresentada nesta semana no Congresso Paulista de Urologia, em São Paulo, de hoje (3) a 6 de setembro.
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Desenvolvido pelo urologista Ubirajara Barroso Jr., da Universidade Federal da Bahia (UFBA), o procedimento utiliza o chamado retalho de Martius, um segmento de tecido vascularizado da região dos grandes lábios, para aumentar a espessura do neofalo. A técnica recebeu o nome de Barroso Technique e também foi aceita para publicação no International Brazilian Journal of Urology.
“Eu já tinha elaborado uma técnica para engrossar o pênis do homem cis, o Dart-Vag, no qual usamos o retalho do músculo ou tecido dartos, uma camada elástica logo abaixo da pele do saco escrotal, combinado com a túnica vaginal, a membrana que reveste o testículo”, explica o urologista. A experiência levou o especialista a buscar uma alternativa para pacientes submetidos à reconstrução genital. Segundo ele, o retalho de Martius pode ser utilizado para acrescentar tecido ao neofalo e trabalhar sua circunferência.
Molde
O procedimento integra uma sequência de possibilidades da cirurgia de afirmação de gênero. Na faloplastia, o pênis é construído com tecido retirado de outra parte do corpo. Entre as áreas que podem ser utilizadas estão o antebraço e a coxa. O tecido é moldado para formar o neofalo e, dependendo do caso, são realizadas outras etapas para reconstrução da uretra e do escroto.
É uma cirurgia complexa, que pode envolver mais de um procedimento e apresenta riscos como infecções, alterações na cicatrização e complicações urinárias. A reconstrução da uretra, em particular, pode exigir intervenções adicionais quando surgem estreitamentos ou fístulas. Por isso, a indicação e a combinação das técnicas dependem da avaliação individual do paciente.
Nesse cenário, a espessura e o contorno do neofalo são aspectos que também precisam ser considerados. A utilização de tecidos adicionais pode ser uma alternativa para modificar o volume e a aparência do órgão reconstruído.
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