Uma dor que parece muscular, uma ardência ou uma sensação de queimação em uma área específica do corpo podem ser os primeiros sinais de herpes-zóster, conhecido popularmente como cobreiro. A doença é provocada pela reativação do vírus varicela-zóster, o mesmo responsável pela catapora. Depois da primeira infecção, o vírus permanece no organismo, alojado em estruturas do sistema nervoso, e pode voltar a se multiplicar anos ou décadas mais tarde.
O quadro geralmente provoca dor, ardência, formigamento ou aumento da sensibilidade em determinada região, seguido pelo aparecimento de pequenas bolhas agrupadas. Uma das características mais comuns é a distribuição das lesões em uma faixa de apenas um lado do corpo, acompanhando o trajeto de um nervo.
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Unilateral
“As manifestações costumam aparecer no tronco, nas costas ou na barriga, mas também podem surgir na face, na cabeça, no pescoço, nos braços ou nas pernas. Uma característica importante é a distribuição unilateral: as lesões geralmente ficam concentradas em apenas um lado do corpo”, explica a infectologista Sabrina Soares, do Hospital Quali Ipanema.
A dor, inclusive, pode começar antes de qualquer alteração visível na pele. Nessa fase, o paciente pode interpretar o sintoma como uma dor muscular ou outro problema localizado. Ardência, queimação, formigamento e hipersensibilidade ao toque estão entre as manifestações descritas. Febre baixa, mal-estar, dor de cabeça e cansaço também podem ocorrer.
A reativação do vírus é mais frequente com o avanço da idade e em pessoas com o sistema imunológico comprometido. Doenças crônicas e situações de estresse intenso também estão associadas a um risco maior. Nessas populações, a atenção aos primeiros sintomas é especialmente importante.
“Por isso, perceber que uma dor ou alteração na pele está seguindo um padrão diferente do habitual é importante. O reconhecimento precoce do quadro permite que a avaliação e o tratamento sejam considerados no momento adequado, especialmente quando existem fatores de risco ou envolvimento de regiões como a face e os olhos”, afirma Sabrina.
Neuralgia
O herpes-zóster não é apenas uma doença de pele. Entre as possíveis complicações está a neuralgia pós-herpética, caracterizada pela permanência da dor na região afetada mesmo depois da cicatrização das lesões. O problema pode durar semanas, meses ou, em alguns casos, ainda mais tempo. Quando o vírus atinge a região próxima aos olhos, também existe risco de comprometimento ocular, o que exige avaliação médica.
A prevenção inclui a vacinação. Na rede privada brasileira, está disponível a vacina contra o herpes-zóster, indicada para pessoas a partir dos 50 anos. O esquema é composto por duas doses, geralmente administradas com intervalo de dois meses, conforme a indicação e as orientações do fabricante e do profissional de saúde.
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