
Tem gente que nasce pronto pra brilhar, e tem quem constrói o próprio palco, no caso de Lucas Guimarães, parece que as duas coisas se misturam, a Coluna do Sodré acompanhou de perto um dia intenso de gravações do “Eita, Lucas!” e encontrou muito mais do que um apresentador, encontrou um fenômeno que, aos 32 anos, arrasta multidões, domina plateias e já crava o segundo lugar na audiência da TV aberta brasileira, ficando atrás apenas da poderosa TV Globo.
Mas para entender o agora, é preciso voltar no tempo, lá atrás, quando tudo ainda era sonho, aos dez anos de idade, Lucas já dizia que queria ser famoso, queria estar na televisão, queria ser grande, e não era da boca pra fora, era o início de uma trajetória construída com insistência, criatividade e muita coragem, ele foi radialista, criou revista de bairro, inventou seus próprios espaços de comunicação quando ninguém ainda o conhecia, até que, com apenas um celular na mão, começou a produzir conteúdo na internet e encontrou ali o seu primeiro palco real, foi nesse momento que o Brasil começou a prestar atenção.
O sucesso digital, com milhões de seguidores fiéis e engajados, poderia ter sido suficiente, confortável até, mas Lucas nunca quis conforto, quis evolução, e foi assim que nasceu o “Eita, Lucas!”, um projeto pensado, desenhado e amadurecido junto à emissora criada por Silvio Santos, e que ganhou força definitiva quando Daniela Beyruti enxergou ali um potencial que ultrapassava as telas do celular, os quadros que já arrastavam multidões nas ruas, como o icônico “Chuveiro ou Dinheiro”, provaram que o público não apenas assistia, ele participava.
E participar é a palavra-chave.
Nos bastidores do SBT, o que se vê é uma operação intensa, quase caótica, mas extremamente afinada, são dias de gravação que chegam a quase dez horas seguidas, com três a quatro programas sendo registrados em sequência, uma maratona que exige concentração, energia e jogo de cintura, no camarim, Lucas se divide entre maquiagem, figurinos e preparação, mas nunca deixa de parar para olhar no olho de alguém, conversar, agradecer, brincar, há ali uma humildade que não se perde, mesmo com o tamanho do sucesso.
A produção corre contra o tempo, alinhando convidados, organizando entradas, ajustando roteiro, lidando com imprevistos que surgem a cada minuto, nos corredores, o vai e vem é constante, figurinos cruzando caminhos, convidados chegando, assistentes tentando manter a ordem em meio ao caos, e mesmo assim, tudo funciona, porque existe um objetivo comum, fazer o espetáculo acontecer.
E então, vem a plateia.
Exatamente 146 pessoas.
Mas qualquer um que esteja ali juraria que são mil, talvez mais, o volume, a energia, a entrega, tudo é potencializado, são caravanas que chegam animadas desde o estacionamento, já cantando, já vibrando, anunciando que aquele não é um auditório comum, dentro do estúdio, a espera não cansa, pelo contrário, alimenta ainda mais a ansiedade, porque ali não existem apenas espectadores, existem os “fiéis escudeiros” de Lucas.
Quando a trilha de Manu Bahtidão começa, o estúdio literalmente treme, é o sinal da entrada triunfal, e Lucas corresponde como poucos, entra dançando, sorrindo, completamente entregue, e o público responde na mesma intensidade, gritos, aplausos, emoção à flor da pele, o sonoplasta precisa aumentar o volume para tentar equilibrar o som diante de tanta euforia, uma cena que se repete, mas nunca perde a força.
No palco, Lucas não interpreta um papel, ele vive, ele se conecta, ele escuta, ele abraça, ele devolve ao público tudo o que recebe, e talvez seja exatamente isso que sustenta o fenômeno, cada quadro, seja de entretenimento, assistencialismo ou interação direta, carrega essa troca genuína, essa proximidade que não se fabrica.
Entre uma gravação e outra, em meio a trocas de figurino e ajustes de última hora, fomos construindo nossa entrevista, e o que mais chama atenção não é apenas o que Lucas conquistou, mas como ele enxerga tudo isso, em nenhum momento se coloca acima de ninguém, pelo contrário, atribui repetidas vezes seu sucesso a Deus, reforçando uma fé que guia suas decisões e sustenta sua caminhada.
Com exclusividade, Lucas contou que os projetos não param de crescer, um novo reality musical está sendo preparado para ganhar as ruas e também o palco do “Eita, Lucas!”, no SBT, a ideia é rodar o Brasil inteiro com um novo quadro do programa, que ainda está sendo desenhado por sua equipe, mostrando que, para ele, parar nunca foi uma opção.
O influenciador faz questão ainda de ressaltar sua conexão com o povo e deixa claro que, diferente de muitos famosos, até mesmo conhecidos, ele ama viver esse contato direto, gosta de parar, ouvir, abraçar, conversar, trocar, algo que, para muitos, se perde com o tempo, mas que nele segue sendo essência.
E essa troca é visível até nos bastidores, nos corredores do “Eita, Lucas!”, não param de chegar mimos para o apresentador, durante um único dia de gravação, são dezenas de pessoas tentando entregar presentes, cartas, lembranças, gestos simples que traduzem o tamanho do carinho que ele construiu ao longo dos anos.
Comparações já começaram, e não são pequenas, há quem veja nele traços do inesquecível Gugu Liberato, o que pode até gerar debate, mas ao observar de perto, a entrega, o carisma e a conexão com o público, a associação deixa de parecer exagero e passa a fazer sentido, ainda assim, Lucas mantém os pés no chão e reconhece que está apenas no começo.
E quando o assunto é audiência, os números não apenas impressionam, eles confirmam o fenômeno, com pouco mais de um ano no ar, o “Eita, Lucas!” já se consolidou como o segundo programa mais assistido aos sábados na TV aberta, garantindo a vice-liderança com folga, atrás apenas da TV Globo e superando com consistência Record TV e Band, em apenas três meses consolidados, foram mais de 60 milhões de brasileiros impactados, um resultado que não só valida o projeto, mas deixa claro que o público não apenas aceitou, ele abraçou.
No fim das contas, o que se vê é simples e raro ao mesmo tempo, um homem que não esqueceu o menino que foi, que ainda sonha como aos dez anos, que trabalha como quem está começando e que se conecta como quem nunca saiu de perto do seu público.
E talvez seja exatamente por isso que ele venceu.
