Por: Thiago Sodré

O Leilão de Nova York que chamou a atenção do mercado global de relógios de luxo

Renan Bastos analisa como os US$ 75,8 milhões movimentados pela Phillips reforçam a força da alta relojoaria e revelam novas tendências entre colecionadores e investidore

Renan Bastos -  (crédito: Reprodução instagram)
Renan Bastos - (crédito: Reprodução instagram)

Entre os dias 13 e 14 de junho de 2026, a tradicional casa de leilões Phillips realizou em Nova York um dos eventos mais importantes do ano para o mercado global de relógios de luxo. Ao longo de dois dias, o leilão movimentou aproximadamente US$ 75,8 milhões, reunindo algumas das peças mais raras, desejadas e historicamente relevantes da alta relojoaria mundial.


Mais do que os números impressionantes, os resultados chamaram atenção por evidenciar mudanças importantes no comportamento dos colecionadores e investidores que acompanham o setor. O evento também reforçou uma tendência que vem ganhando força nos últimos anos: a crescente valorização de relojoeiros independentes ao lado de gigantes históricos como Patek Philippe e Rolex.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O CORREIO BRAZILIENSE NOGoogle Discover IconGoogle Discover SIGA O CB NOGoogle Discover IconGoogle Discover


O principal destaque do leilão foi um F.P. Journe Chronomètre à Résonance Souscription No. 007, vendido por impressionantes US$ 13,9 milhões.


O resultado colocou a peça entre os relógios de pulso mais valiosos já vendidos em leilão e estabeleceu um novo recorde para a marca fundada por François-Paul Journe. Mais do que um resultado excepcional, a venda foi interpretada por muitos especialistas como um marco para a relojoaria independente.
Para Renan Bastos, que acompanha o mercado de relógios de luxo nos Estados Unidos (EUA), no Brasil e em outros importantes centros internacionais, o resultado demonstra uma evolução importante no perfil dos compradores.


Quando uma peça alcança esse nível de valorização, ela deixa de representar apenas um relógio. O mercado está reconhecendo história, inovação, raridade e a contribuição daquele fabricante para a evolução da alta relojoaria.”


Durante décadas, os grandes leilões internacionais foram dominados principalmente por modelos da Patek Philippe e Rolex. Embora essas marcas continuem ocupando posições de destaque, a valorização alcançada pela F.P. Journe demonstra que colecionadores estão cada vez mais atentos a fabricantes independentes com forte conteúdo técnico, produção limitada e relevância histórica.


A trajetória da F.P. Journe ajuda a explicar esse movimento.


Fundada pelo relojoeiro francês François-Paul Journe, a manufatura construiu sua reputação com base em inovação mecânica, produção extremamente restrita e uma filosofia que combina tradição artesanal com desenvolvimento técnico próprio. Hoje, muitos de seus modelos são considerados referências da relojoaria contemporânea.


O Chronomètre à Résonance Souscription ocupa posição especial dentro desse universo. Além da raridade, o modelo representa um dos momentos mais importantes da história da marca, o que contribuiu diretamente para o interesse dos participantes do leilão.


Mas o evento não foi marcado apenas por um único recorde.


Outro grande destaque foi um raro Patek Philippe Ref. 5004G-020, conhecido por ter pertencido ao músico Eric Clapton. A peça ultrapassou a marca dos US$ 5,2 milhões, estabelecendo um novo patamar para exemplares semelhantes e reforçando a força contínua da fabricante suíça entre colecionadores de alto nível.
Os resultados demonstram que peças históricas, raras e tecnicamente sofisticadas continuam despertando enorme interesse em um mercado cada vez mais seletivo.
Segundo Renan Bastos, os compradores atuais possuem um nível de conhecimento muito superior ao observado há alguns anos.


Os colecionadores estão cada vez mais preparados. Eles estudam profundamente as marcas, acompanham leilões internacionais, entendem movimentos mecânicos e conseguem identificar peças realmente especiais. Isso elevou o nível do mercado.”


O leilão da Phillips também revelou a força do mercado americano dentro da alta relojoaria.
Os Estados Unidos concentram alguns dos mais importantes colecionadores do mundo e desempenham papel fundamental na liquidez do mercado secundário de relógios de luxo. Cidades como Nova York e Miami se consolidaram como polos globais para negociação de peças raras, leilões especializados e eventos voltados à alta relojoaria.


Essa combinação entre capital, informação e acesso internacional ajuda a explicar por que alguns dos maiores recordes da indústria continuam sendo registrados em solo americano.
Outro dado que chamou atenção foi a quantidade de lotes milionários negociados durante o evento. Diversos relógios ultrapassaram a marca de US$ 1 milhão, demonstrando que a demanda por peças excepcionais permanece forte mesmo em um cenário econômico global marcado por incertezas.
Para Renan da Rocha Gomes Bastos, o resultado do leilão oferece uma visão clara sobre o momento atual do mercado de relógios de luxo.


O que estamos vendo é um mercado mais maduro e sofisticado. Os compradores procuram autenticidade, relevância histórica e excelência técnica. O prestígio da marca continua importante, mas a história por trás da peça tem ganhado cada vez mais peso.”


Os resultados observados em Nova York se somam a outros recordes recentes registrados em centros como Genebra e Hong Kong, reforçando o caráter global da alta relojoaria contemporânea.
Ao mesmo tempo, a ascensão de marcas independentes demonstra que o mercado está aberto a reconhecer inovação e excelência onde quer que elas estejam, independentemente do tamanho da manufatura.


Mais do que um grande evento comercial, o leilão da Phillips serviu como um termômetro do setor. Ele revelou quais características estão sendo mais valorizadas pelos colecionadores e apontou para um futuro em que exclusividade, tradição, inovação e autenticidade continuarão definindo o verdadeiro valor de um relógio de luxo.


Em um mercado cada vez mais globalizado e sofisticado, os resultados de Nova York mostram que o fascínio pela alta relojoaria permanece tão forte quanto sempre foi, e que determinadas peças continuam sendo vistas não apenas como instrumentos para medir o tempo, mas como verdadeiras obras de arte, patrimônio cultural e legado para futuras gerações.

  • Google Discover Icon
postado em 30/06/2026 15:16 / atualizado em 30/06/2026 15:17
x