
Poucas novelas dos últimos anos conseguiram mobilizar o público como “Quem Ama Cuida”. Desde Avenida Brasil, uma produção não despertava tamanha curiosidade e envolvimento dos telespectadores. A trama escrita por Walcyr Carrasco e Claudia Souto encontrou a combinação perfeita entre suspense, emoção e personagens fortes, transformando Adriana Brandão em uma protagonista pela qual o público torce a cada capítulo.
Mas justamente quando a novela vivia seu melhor momento, a segunda fase passou a dar sinais de um problema que pode custar caro: a superlotação de personagens e o excesso de histórias paralelas.
Na primeira fase, a narrativa era objetiva. O foco estava no drama de Adriana, em seus confrontos com Pilar e nos desdobramentos envolvendo Arthur Brandão. Era impossível trocar de canal. Cada capítulo terminava deixando o telespectador ansioso pelo próximo.
Já na segunda fase, após a saída de Adriana da prisão em busca de vingança, a expectativa era de que a história ganhasse ainda mais intensidade. No entanto, o que se viu foi uma desaceleração da trama principal. Enquanto novos personagens chegam ao folhetim, a novela dedica um tempo precioso para apresentar suas histórias, muitas delas ainda sem qualquer conexão clara com o conflito central.
O resultado é uma sensação de que a vingança de Adriana ficou em segundo plano. Até mesmo os aguardados confrontos entre a protagonista e a vilã Pilar perderam impacto, tornando-se rápidos e menos explosivos do que o público esperava.
Não significa que os novos personagens sejam ruins ou que suas histórias não possam render bons momentos. O problema está na quantidade. Quando muitas tramas disputam espaço ao mesmo tempo, o risco é tirar o brilho justamente da narrativa que conquistou milhões de brasileiros.
O grande diferencial de “Quem Ama Cuida” sempre foi a força da história de Adriana Brandão. É nela que está a emoção, o conflito e a identificação do público. Quanto mais essa narrativa é interrompida para dar espaço a núcleos que ainda não provaram sua importância, maior é o risco de esfriar o interesse do telespectador.
Ainda há tempo para corrigir a rota. Os autores têm talento de sobra para reorganizar a condução da novela e devolver protagonismo à trama central. O crescimento natural do elenco é esperado em qualquer folhetim, mas ele precisa acontecer sem perder de vista aquilo que fez o Brasil parar diante da televisão.
Porque, no fim das contas, o público não voltou para acompanhar dezenas de histórias. Voltou para descobrir até onde Adriana Brandão será capaz de ir para acertar as contas com Pilar e recuperar tudo o que lhe foi tirado.
Se desejar, também posso deixar essa crítica com um tom mais ácido e provocativo, no estilo de uma coluna de televisão.
