
Um novo estudo realizado pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), em parceria com a University College London, revelou um dado alarmante: pessoas que apresentam simultaneamente obesidade abdominal e baixa massa muscular têm um risco de morte 83% maior do que aquelas que não apresentam essas condições.
A condição, conhecida como obesidade sarcopênica, combina o acúmulo de gordura visceral na região do abdômen com a perda de massa magra e tem preocupado especialistas por se tornar cada vez mais comum, principalmente entre pessoas acima dos 50 anos.
Para o médico Matheus Alencar, o dado reforça a necessidade de uma avaliação mais completa durante as consultas médicas.
“O paciente pode até estar com o peso considerado normal pelo IMC, mas se ele tem circunferência abdominal elevada e está perdendo músculo, o risco metabólico é alto. É fundamental olhar para a composição corporal, não apenas para o número na balança”, explica.
O estudo acompanhou mais de 5.400 pessoas durante 12 anos e foi publicado na revista científica Clinical Nutrition. A obesidade abdominal foi considerada presente em homens com cintura acima de 102 cm e em mulheres com mais de 88 cm. Já a massa muscular foi avaliada com base em índices ajustados por altura.
Por que essa combinação é tão perigosa?
A gordura abdominal, especialmente a visceral, está ligada a processos inflamatórios no organismo, resistência à insulina e aumento do risco de doenças cardiovasculares. Quando somada à perda de músculo, que por si só compromete mobilidade, força e metabolismo, os riscos à saúde se multiplicam.
“É uma condição silenciosa. Muitas vezes, a pessoa não percebe que está perdendo músculo, principalmente se continua ganhando peso. Mas essa composição corporal inadequada afeta diretamente a expectativa e a qualidade de vida”, alerta o Dr. Matheus.
A boa notícia, segundo o especialista, é que essa condição pode ser prevenida e até revertida com mudanças no estilo de vida.
Entre as principais recomendações estão:
O Dr. Matheus Alencar defende que, mais do que combater o excesso de peso por estética, é preciso compreender a obesidade como um fator de risco clínico e agir de forma estratégica e personalizada.
“Estamos diante de um novo perfil de paciente: aquele que não necessariamente é obeso no IMC, mas carrega risco metabólico alto. E esse paciente precisa de atenção agora.”