
Em um cenário global marcado por transformações profundas, a arte tem se afirmado como uma linguagem capaz de criar conexões onde antes havia distância. Cinema e séries ampliam horizontes, aproximam culturas e traduzem emoções comuns a diferentes povos, independentemente de idioma ou território. É nesse cruzamento entre criação artística e diálogo global que se destaca a trajetória de Danni Suzuki, que vem expandindo sua atuação como atriz, produtora e agente cultural com projetos de alcance internacional.
Esse movimento se reflete no documentário “S.Ó.S”, dirigido por Danni, que acompanha histórias de crianças refugiadas e aposta no poder da imagem para gerar empatia e compreensão. As gravações começaram na Turquia, em regiões de fronteira com a Síria e o Líbano, e surgiram a partir do envolvimento da artista com iniciativas de acolhimento de famílias sírias no Brasil. Sobre a motivação para usar o audiovisual como ferramenta de aproximação entre culturas e realidades distintas, ela afirma: “A arte sempre foi minha ponte até o outro. E o audiovisual tem um poder único de atravessar barreiras de idioma, religião, território. Quando a gente mostra uma história com verdade, ela se conecta direto na emoção e a emoção é universal. O que me move é esse potencial de criar empatia, criar uma conexão mesmo onde antes havia desconhecimento. Quando dirijo escrevo ou atuo, penso sempre em como aquela narrativa pode abrir um espaço para gerar identificação e fazer alguém repensar o mundo. Esse é o impacto que me interessa.”
Paralelamente, a artista vive uma fase de forte circulação internacional na ficção, integrando produções como “Capoeiras”, disponível no Disney+, “(In)Vulneráveis”, em breve estreando na NBC Universal, e o filme “Segredos”, gravado inteiramente em inglês, ondemand no catálogo do Prime Video e Apple TV. Ao transitar por diferentes formatos e plataformas, a atriz participa de um momento em que as histórias brasileiras dialogam com temas universais, alcançando públicos diversos e reafirmando o potencial do audiovisual como ponte cultural.
Essa vivência múltipla também atravessa sua atuação como atriz, como ela mesma destaca ao falar sobre a influência do trabalho como produtora e ativista em suas escolhas artísticas: “Tudo está conectado. Quando estou atuando, trago comigo não só a atriz, mas também a diretora, a roteirista, a mulher, a mãe, todas as minhas experiências, aprendizados e as vivências juntas. Essa bagagem interfere diretamente nas escolhas que faço, tanto no tipo de história que quero contar quanto na forma como escolho contar. Tenho maior interesse em papéis que tenham algo a dizer. Quero estar em obras que provoquem, que deixem rastro, que transformem. O ativismo me ensinou a olhar para o outro com mais responsabilidade. E isso muda completamente a forma como eu crio e como me expresso no mundo.”
O engajamento de Danni como Apoiadora de Alto Perfil do ACNUR, agência da ONU que protege e auxilia refugiados, reforça essa vocação de diálogo entre mundos. Ao unir atuação artística, produção e ativismo, ela demonstra como a arte pode ampliar percepções, gerar identificação e inspirar atitudes mais conscientes.
Para a artista, seu trabalho hoje está mais ligado a provocar encontros e reflexões do que a oferecer respostas prontas, como ela explica: “Acho que a gente vive num mundo que precisa de mais perguntas sinceras e menos certezas. Meus projetos hoje nascem não apenas do desejo de provocar reflexão mas provocar ação. E quando faço esse tipo de escolha, devo aumentar minha responsabilidade diante do impacto. Quero gerar encontros com o outro e com a gente mesmo. Quero que o público se sinta tocado, deslocado, inspirado e desperto. Que se enxergue num novo lugar e que veja também o lugar do outro, que questione seus próprios privilégios e perceba a potência de vivenciar outras realidades. A arte, pra mim, é isso: um convite ao encontro. E encontros verdadeiros transformam”, conclui a artista.
