
Recentemente coroada Miss Araraquara, a jornalista, atriz e comunicadora Gabi Sálvi está se preparando para representar o município no Miss Universe São Paulo. Como mulher plus size, ela faz parte de um movimento que vem contribuindo para ampliar a representatividade nos concursos de beleza e mostrar que elegância, feminilidade e capacidade de representação não estão ligadas a um único padrão estético.
Durante muitos anos, o universo dos concursos de Miss esteve associado a critérios bastante restritivos de beleza. No entanto, mudanças implementadas nos principais concursos nacionais e internacionais vêm abrindo espaço para mulheres com diferentes histórias, idades, profissões e tipos físicos, refletindo uma sociedade cada vez mais diversa.
Para Gabi, essa transformação é necessária e representa um avanço importante na forma como as mulheres são vistas e valorizadas.
“Os concursos de beleza estão passando por uma transformação importante e aos poucos estamos entendendo que beleza não pode ser limitada a um único tipo de corpo, rosto ou história. Ainda existe um caminho a percorrer, mas hoje já vemos mais abertura para diferentes perfis de mulheres, e isso é extremamente positivo”, afirma.
Ela lembra que um dos momentos mais marcantes dessa mudança aconteceu em 2023, quando Jane Dipika Garrett se tornou a primeira candidata plus size a disputar o Miss Universo, alcançando o Top 20 da competição e ganhando reconhecimento internacional.
Além disso, os concursos passaram a aceitar mulheres casadas, mães e candidatas acima dos limites de idade tradicionalmente exigidos, mudanças que ajudaram a tornar esses espaços mais inclusivos e representativos.
Para a representante de Araraquara, estar no concurso vai além da disputa por uma faixa.
“Cresci sem ver mulheres com corpos parecidos com o meu sendo celebradas nesses ambientes. Estar aqui hoje mostra que feminilidade, elegância, inteligência e capacidade de representar uma cidade não têm tamanho. Mais do que disputar uma faixa, eu quero ajudar a ampliar as possibilidades para que outras mulheres se sintam pertencentes a espaços que durante muito tempo pareceram inacessíveis”, destaca.
Segundo ela, a representatividade tem um papel fundamental na construção da autoestima e na ampliação das referências femininas.
“A representatividade tem um poder muito grande porque amplia referências. Quando uma mulher vê alguém parecido com ela ocupando um espaço de destaque, ela entende que também pode estar ali.”
Gabi também faz questão de esclarecer que defender a diversidade não significa ignorar a importância da saúde e do autocuidado.
“Isso não significa abandonar o cuidado com a saúde ou a autoestima. Significa entender que beleza existe em muitas formas e que nenhuma mulher deveria se sentir menos valiosa por não corresponder a um padrão específico. Já recebi críticas de que dessa forma eu romantizo a obesidade, mas não é isso. Até porque eu também luto para sair da obesidade. A verdade que eu acredito é que primeiro a gente precisa aceitar o processo, nossos corpos, para entender que é possível buscar alternativas, pensando na saúde.”
Ao representar Araraquara no Miss Universe São Paulo, Gabi espera contribuir para discussões que vão além do universo da beleza e reforçar a importância da inclusão em diferentes espaços da sociedade.
“Quero mostrar que diversidade não é uma tendência, mas uma necessidade. Quando ampliamos a representatividade, permitimos que mais mulheres sejam vistas, ouvidas e valorizadas. Somos diversas em nossos corpos, histórias, profissões, sonhos e experiências, e essa diversidade é justamente o que nos torna tão ricas como sociedade.”
A candidata acredita que a ampliação da representatividade nos concursos de beleza acompanha uma mudança cultural mais ampla, baseada no respeito às diferenças e no reconhecimento de trajetórias diversas.
“Espero que a minha participação ajude a reforçar que inclusão não significa abrir exceções, mas reconhecer talentos, competências e potencialidades que sempre existiram. Quero que meninas e mulheres olhem para esse concurso e entendam que elas não precisam mudar quem são para serem dignas de reconhecimento, respeito e protagonismo.”
Para Gabi, essa mensagem também pode contribuir para fortalecer pautas positivas e inspiradoras, mostrando que espaços de destaque devem refletir a pluralidade das mulheres brasileiras e abrir caminhos para que cada vez mais pessoas se sintam representadas.
