
Depois de figurar entre os principais álbuns do primeiro semestre na seleção da Billboard Brasil, Pedro Emílio vive um dos momentos mais marcantes da carreira. O reconhecimento chega na sequência da indicação ao Grammy Latino pelo disco anterior e do destaque no Prêmio da Música Brasileira 2026, consolidando o cantor e compositor baiano entre os novos nomes da música brasileira.
Em entrevista exclusiva, o artista abriu detalhes sobre o processo de criação de Vende-se Lembrança, trabalho que, segundo ele, começou muito antes de entrar no estúdio.
“Não teve um momento exato. Sempre me vi como um criativo e estou o tempo inteiro pensando em conceitos. Quando digo que esse disco existe dentro de mim há muitos anos, é porque ele parte de memórias que ganharam significado ao longo da minha vida”, conta. “Toda a pesquisa do álbum nasceu dessas lembranças. Elas influenciaram desde as escolhas melódicas e rítmicas até as letras.”
O conceito amadureceu aos poucos. “A ideia de Vende-se Lembrança surgiu no início do ano passado, antes mesmo do lançamento do meu primeiro disco. Fui escrevendo bastante e, quando percebi que esse projeto já tinha uma identidade própria, senti que era a hora de colocá-lo no mundo.”
Formado em Publicidade e Propaganda, Pedro revela que o título também carrega um olhar estratégico, mas que seu significado vai muito além de chamar atenção.
“Sempre penso em nomes que despertem curiosidade, mas a ideia de vender lembranças vem do desejo de que todas as músicas provoquem alguma memória em quem escuta, seja da infância, da adolescência ou de um momento recente. Ao mesmo tempo, gostaria que o próprio disco se tornasse uma boa lembrança para as pessoas.”
Segundo ele, essa intenção atravessa todo o projeto. “Quero que daqui a alguns anos alguém escute essas músicas e elas tragam uma sensação boa. Isso está presente na produção, nas melodias e em todas as escolhas que fizemos.”
Pela primeira vez, Pedro também assina a produção musical do álbum ao lado de Matheus Brasil e Lucas Romero. A decisão nasceu da participação intensa em todas as etapas do processo criativo.
“Nos trabalhos anteriores eu chegava com voz, violão e letra, e o Matheus desenvolvia muita coisa. Nesse disco foi diferente. A gente respeitou muito a forma como cada canção nasceu. Muitos arranjos, o balanço das músicas e até os metais surgiram junto com a composição.”
O cantor explica que passou a enxergar a produção de outra maneira. “Percebi que a produção precisa potencializar aquilo que a música já pede, sem atrapalhar a essência da canção. Por isso senti que fazia sentido assinar esse trabalho também.”
As participações especiais de Luedji Luna e Ryan Fidelis também surgiram de encontros naturais proporcionados pela música. “Luedji eu conheci no Grammy Latino. A gente conversou bastante, saiu para jantar com amigos e ela comentou que conhecia meu trabalho. Quando escrevi ‘Reticente’, desde a primeira gravação de voz e violão imaginei a voz dela naquela música. Criei coragem para convidá-la e ela aceitou de primeira.”
Para Pedro, a cantora levou uma nova dimensão à faixa. “Ela tem uma elegância muito própria. Tudo o que canta ganha uma atmosfera mais clássica e isso ficou muito presente na música.”
Já Ryan Fidelis entrou no projeto depois que os dois se aproximaram por conta dos lançamentos de seus discos. “Quando ele me chamou para participar do álbum dele, eu disse que antes queria muito que ele estivesse no meu. Em ‘Você Foi’, pedi que escrevesse o próprio verso. Ele levou a identidade dele para a música e isso mudou completamente a faixa.”
Apesar de o álbum nascer das lembranças, Pedro afirma que hoje vive um momento artístico mais leve. “Tenho buscado escrever canções mais solares, dançantes, extrovertidas e cheias de groove. Acho que músicas como ‘Você’, ‘Dendê’, ‘Era Pra Ser’ e ‘Coisa Gostosa’ representam muito quem sou hoje.”
Entre todas elas, uma ocupa um lugar especial atualmente. “‘Era Pra Ser’ é a música que mais tenho voltado para ouvir. Depois de escutá-la tantas vezes durante a produção, ela continua me emocionando. Talvez daqui a um mês eu responda outra, mas hoje ela resume muito bem o momento que estou vivendo.”
Com o álbum sendo reconhecido pela crítica e entrando na lista dos principais lançamentos do semestre da Billboard Brasil, Pedro acredita que o maior diferencial de Vende-se Lembrança está na intenção de criar uma obra duradoura. “Quero que quem ouvir hoje volte a essas músicas em 2030, 2036 ou mais para frente e encontre nelas boas lembranças. É um disco que reconecta as pessoas com o passado enquanto olha para o futuro. Mistura referências, sonoridades e memórias de uma forma muito natural.”
O cantor também considera esse o trabalho mais completo de sua trajetória. “Foi o projeto em que mais investi criativamente. Coloquei muito mais esforço na composição, na produção, nos vídeos, nos visualizers e em toda a identidade do álbum. O trabalho não terminou quando ele foi lançado. Na verdade, começou ali.”
Por isso, receber esse reconhecimento tem um significado especial. “Ver o álbum entrando nessas listas e conquistando esse espaço mostra que existiu um êxito nessa tentativa de criar algo atemporal. Meu desejo sempre foi que essas músicas encontrassem as pessoas e marcassem a vida delas. É para isso que continuo trabalhando.”
