
Em 1999, a banda Backstreet Boys fez uma audição para a imprensa do mundo inteiro em Orlando, nos Estados Unidos, para apresentar com exclusividade o álbum Millennium. A delegação do Brasil levou equipes do SBT e da Rede Globo, além de jornalistas de veículos como Capricho e Veja.
Entre os profissionais presentes, estava o produtor musical Helio Leite Cosmo, representando a gravadora Virgin, onde trabalhava na época. No final da sessão, a banda se reuniu para tirar fotos com os jornalistas e representantes das gravadoras. Foi aí que um convite rápido acabou gerando uma história inusitada.
"Eu hesitei em entrar na foto, mas o Howie D. já conhecia o Brasil e já nos conhecíamos de outras vindas dele por aqui. Ele insistiu para que eu fizesse a foto com eles e me colocou bem no meio dos cinco integrantes", lembra Helio.
Como ainda não existia o ambiente digital como hoje, a foto física veio da central da banda em Miami para o escritório da Virgin em São Paulo, revelada em papel. Helio pediu para a assessora de imprensa tirar algumas cópias para guardar de recordação, mas o material acabou circulando mais do que o esperado.
Tempos depois, a banda Charlie Brown Jr. foi ao escritório da Virgin para uma reunião. Foi quando os integrantes Pelado e Marcão entraram na sala de Helio rindo, com um jornal na mão, e perguntaram: "Helinho, quer dizer que você é um novo Backstreet Boy?".
A foto, tirada em Orlando, tinha parado em um veículo de imprensa do Centro-Oeste. O Charlie Brown Jr. tinha viajado de avião para fazer um show em Brasília e, ao embarcar, recebeu esse jornal com a notícia do lançamento do álbum da banda americana. Ao olharem a imagem que ilustrava a matéria, reconheceram o produtor.
O motivo da confusão foi simples: alguém na redação do jornal pegou a foto original, na qual Helio aparecia ao lado dos cinco integrantes, cortou o músico que estava na ponta direita para ajustar o espaço da página, e a imagem ficou com cinco pessoas. Como Helio estava no centro, acabou ficando no lugar de um dos membros oficiais da boy band.
"Quando a banda chegou com o jornal me chamando de Backstreet Boy, eu achei que era por conta do meu visual na época. Lembro que tinha uma loja chamada Zapp com roupas bem descoladas, e eu sempre fui muito ligado a moda, usava calças, sapatos e camisas diferentes. Então achei que eles estavam se referindo a isso. Mas na hora que colocaram o jornal na minha cara, fiquei de boca aberta. Todo mundo da gravadora foi ver o que estava acontecendo e riu muito. Nunca fiquei com receio de ter algum problema, achei engraçado", revela o produtor.
Anos depois, com a chegada das redes sociais, a história ganhou um novo capítulo. Helio descobriu que o corte acidental feito pelo jornal na época tinha feito a imagem rodar o mundo entre os fãs do grupo. "Quando postei a foto nas minhas redes, vários fãs dos Backstreet Boys, até de fora do Brasil, tinham essa mesma foto sem saber quem eu era. Segundo consta, ela chegou a virar pôster vendido a peso de ouro para fãs fiéis da banda”, conta ele.
Essa proximidade com o grupo já vinha de outros momentos no Brasil. Antes da banda vir ao país com a formação completa, Howie D. já tinha vindo sozinho de férias e passou um período convivendo com a equipe dentro da própria gravadora: "Como ele estava de férias, sempre esperava que alguém da equipe da Virgin pudesse sair com ele para conhecer São Paulo, e isso nos aproximou bastante. Ele é um cara muito simples, que apesar de toda a fama e talento sempre teve uma humildade exemplar".
"Os outros integrantes também sempre foram muito legais com toda a equipe. O trabalho com eles era intenso e conturbado na rua por causa dos fãs, mas nos bastidores todos eram muito profissionais, simpáticos e abertos a bater papo sobre música e nossa cultura", conclui.
