
Quando Anitta aparece usando um relógio de luxo em um evento, Lionel Messi entra em campo com um Patek Philippe no pulso ou Lewis Hamilton publica uma foto usando um Richard Mille, milhões de pessoas passam a observar não apenas a celebridade, mas também o relógio que ela escolheu usar.
Em poucos minutos, vídeos, perfis especializados e páginas de colecionadores identificam a marca, a referência e o valor estimado daquela peça. O interesse aumenta rapidamente e, muitas vezes, determinados modelos passam a ser muito mais procurados por colecionadores e consumidores ao redor do mundo.
Segundo Renan Bastos, fundador e CEO da RC Crown, essa influência faz parte da dinâmica natural do mercado de luxo. “Celebridades ajudam a despertar desejo. Quando uma personalidade admirada aparece usando determinado relógio, milhares de pessoas passam a conhecer aquela referência e começam a procurar informações sobre ela.”
A influência existe, mas não determina o valor de um relógio
Apesar da repercussão, Bastos explica que a exposição de uma peça não significa, necessariamente, que ela ficará mais valiosa.
Segundo ele, muitas pessoas confundem popularidade com valorização de mercado.
“Uma celebridade pode fazer um relógio ganhar enorme visibilidade em poucos dias. Isso aumenta a procura, mas não significa automaticamente que aquela referência passou a valer mais.”
O especialista explica que movimentos de hype podem elevar rapidamente o interesse por um modelo, mas esse comportamento nem sempre se sustenta ao longo do tempo.
A valorização consistente depende de fatores como disponibilidade limitada, demanda internacional contínua, liquidez e histórico de negociações.
Por que algumas marcas aparecem tanto no pulso das celebridades?
Marcas como Rolex, Patek Philippe, Audemars Piguet e Richard Mille aparecem com frequência nos pulsos de atletas, artistas e empresários porque ocupam posições de destaque na alta relojoaria mundial.
Além da tradição, essas manufaturas produzem referências reconhecidas internacionalmente, negociadas diariamente entre colecionadores e distribuidores de diversos países.
Segundo Bastos, isso ajuda a explicar por que determinadas peças permanecem desejadas durante décadas.
“Alguns modelos conseguem atravessar diferentes gerações mantendo relevância entre colecionadores. Isso acontece porque existe uma combinação entre tradição, produção controlada e demanda global.”
Muito além do glamour
Embora a exposição nas redes sociais ajude a popularizar determinadas referências, Bastos afirma que o mercado funciona de maneira muito mais complexa do que parece.
Por trás dos relógios usados por celebridades existe uma indústria global que movimenta bilhões de dólares todos os anos, envolvendo fabricantes, distribuidores, revendedores e colecionadores espalhados por diversos países.
As negociações acontecem diariamente e os preços variam conforme fatores como disponibilidade, condição da peça, procedência, documentação e comportamento da demanda.
“Quem olha apenas para a foto de uma celebridade usando um relógio vê apenas uma pequena parte da história. Existe todo um mercado funcionando por trás dessas peças, com compradores e vendedores acompanhando diariamente o comportamento de cada referência.”
Informação faz diferença
Para Bastos, compreender esse mercado exige muito mais do que conhecer marcas famosas.
É preciso entender como funcionam oferta, demanda, liquidez e o comportamento dos compradores em diferentes regiões do mundo.
“O consumidor pode até descobrir um relógio por causa de uma celebridade. Mas uma boa decisão de compra depende de informação, não apenas de influência.”
Segundo ele, à medida que o mercado de relógios de luxo cresce e se internacionaliza, aumenta também a necessidade de interpretar corretamente os dados que ajudam a explicar o valor real de cada peça.
Enquanto artistas, atletas e empresários continuam despertando a curiosidade do público, o mercado de alta relojoaria segue mostrando que o verdadeiro valor de um relógio vai muito além da fama de quem o usa. Ele é resultado da combinação entre tradição, escassez, liquidez e um interesse global que permanece forte mesmo quando os holofotes se apagam.
