CONFIRA!

Débora Olivieri revela como deu vida a uma senhora judia quase 30 anos mais velha no monólogo 'Rosa'

Artista falou sobre essa nova experiência em entrevista ao Plural Podcast; confira

Débora Olivieri comenta sobre sua primeira experiência com um monólogo -  (crédito: Divulgação)
Débora Olivieri comenta sobre sua primeira experiência com um monólogo - (crédito: Divulgação)

No primeiro episódio da quarta temporada do Plural Podcast, Juninho Batista conversou com Débora Olivieri sobre sua primeira experiência com um monólogo e o desafio de interpretar uma personagem quase 30 anos mais velha do que ela.

Em “Rosa”, a atriz vive uma senhora judia que, durante o shivah, período de sete dias de luto praticado no judaísmo, revisita as principais passagens de sua vida, marcada por perdas, perseguições, recomeços e sobrevivência.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O CORREIO BRAZILIENSE NOGoogle Discover IconGoogle Discover SIGA O CB NOGoogle Discover IconGoogle Discover

Escrita pelo dramaturgo norte-americano Martin Sherman, a peça acompanha Rosa desde a infância em uma pequena cidade da Ucrânia, passando por sua mudança para Varsóvia e pelo horror vivido durante a Segunda Guerra Mundial, quando enfrentou a perseguição nazista.

Depois de fugir para a Palestina, a personagem reconstrói sua vida nos Estados Unidos, onde se casa novamente, torna-se mãe e consegue realizar o sonho de ser proprietária de um hotel em Miami.

Apesar da dureza da história, o texto é conduzido com leveza e ironia, incorporando o característico humor judaico. Para Débora, o trabalho teve ainda uma dimensão profundamente pessoal. Por ser judia, ficou fascinada com a identificação que o texto tinha com sua vida e a história da sua família.

A atriz contou que cresceu ouvindo histórias de sua avó e bisavó contando como foi quando saíram da Ucrânia e de todas as perseguições que sofreram. “De certo modo, é a história que fala da minha ancestralidade”, conta a atriz.

A identificação com a personagem foi além do texto. Para construir Rosa, Débora buscou referências em sua própria família, especialmente no sotaque de sua avó russa, Dona Eva, que a criou e nasceu em uma cidadezinha vizinha àquela de onde a personagem veio. A emoção da avó ao assistir ao espetáculo também se tornou uma das lembranças mais marcantes daquele processo.

A artista conta que constrói seus personagens “de fora para dentro”. Em Rosa, a transformação física foi fundamental: as mãos tremiam constantemente, os movimentos eram os de uma senhora e a postura ajudava a criar uma mulher muito distante de quem Débora era fora do palco. “Eu vesti a personagem”, resume.

A transformação chegou a tal ponto que, depois das apresentações, algumas pessoas não reconheciam a atriz na saída do teatro e perguntavam quando “a atriz” sairia. O trabalho recebeu críticas muito positivas e foi indicado a todos os prêmios daquele período. Débora também destaca a direção de Ana Paz, que considera um capítulo à parte na experiência.

A história familiar da atriz também passa pelo teatro: seu pai era ator e sua tia Ida Gomes sempre foi uma de suas grandes inspirações. Em “Rosa”, todas essas referências se encontraram em uma montagem aparentemente simples — uma senhora sentada em uma cadeira, contando sua história —, mas que exigiu uma construção sofisticada e profundamente afetiva.

A experiência com o monólogo integra uma carreira marcada pela versatilidade. Débora fala ainda sobre personagens como Carlota Joaquina, em “Novo Mundo”, seu prazer em trabalhar sotaques e idiomas e a relação particular que mantém com as novelas. Embora fale espanhol muito bem e adore o idioma, precisou trabalhar sua composição para encontrar a voz da personagem.

Débora também revela que “nunca foi noveleira”. Quando participava de novelas, costumava assistir aos capítulos com um olhar técnico, observando o próprio trabalho para identificar o que poderia aprimorar no bloco seguinte. Apesar de reconhecer a importância da televisão em sua trajetória, admite que a linguagem da novela não é a que mais lhe dá prazer.

É esse olhar sobre o próprio ofício, a preparação e a permanente busca por novas possibilidades que Débora compartilha no episódio de estreia da quarta temporada do Plural Podcast, em conversa com o produtor artístico e executivo Juninho Batista.

  • Google Discover Icon
MM
postado em 28/08/2026 07:23 / atualizado em 28/08/2026 09:46
x