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Morosidade é desafio para o Judiciário

STF reúne especialistas para discutir modernização da Justiça em meio ao crescimento da litigiosidade e à sobrecarga dos tribunais

Ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal STF -  (crédito: Antonio Augusto/STF)
Ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal STF - (crédito: Antonio Augusto/STF)

O presidente do STF, Edson Fachin, abriu nesta quarta-feira (24/6), a primeira reunião do Grupo de Estudos para a Modernização do Sistema de Justiça. Com base no Relatório Justiça em Números 2026 (ano-base 2025), Fachin apontou o aumento da litigiosidade e a morosidade processual entre os principais desafios do Judiciário. De acordo com o levantamento, a duração dos processos continua sendo um dos maiores obstáculos para a efetividade da prestação jurisdicional. "O sistema de Justiça brasileiro, que é vasto, complexo e plural, enfrenta desafios que não se resolvem por decreto nem se superam pelo voluntarismo isolado de qualquer de seus atores. Eles exigem escuta qualificada, sistematização séria e propositura tecnicamente fundamentada", afirmou Fachin.

Grupo de notáveis

O Grupo de Estudos é presidido pelo professor da Universidade de São Paulo (USP) Fernando Scaff (foto) e tem como relator o desembargador federal do TRF-1 Ney Bello.  Também integram o colegiado o corregedor nacional de Justiça, Mauro Campbell Marques; o ministro Gurgel de Faria, do STJ; a ministra Kátia Arruda, do TST; a presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Vanessa Mateus; a presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), Ana Lya Ferraz; a procuradora federal da Advocacia-Geral da União (AGU) Manuellita Hermes; a defensora pública-geral do Estado de São Paulo, Luciana Jordão; os professores José Levi Mello do Amaral Júnior, Vera Karam de Chueiri, Ana Paula de Barcellos e Ingo Wolfgang Sarlet; o advogado Sérgio Rabello Renault; o conselheiro federal da OAB-PR Cássio Lisandro Telles; a secretária de Altos Estudos, Pesquisas e Gestão da Informação do STF, Christine Peter; e o promotor de Justiça do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), José Theodoro Corrêa de Carvalho. 

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Fernando Scaff, professor da Universidade de São Paulo (USP)
Fernando Scaff, professor da Universidade de São Paulo (USP) (foto: Divulgação)

Indenização e retratação

A 2ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) manteve condenação de uma cafeteria por ato discriminatório praticado contra casal trans no interior do estabelecimento. A empresa terá que pagar R$ 3 mil a cada autor, por danos morais, e realizar retratação pública. Os autores relataram que trocaram demonstrações discretas de afeto no local e foram abordados de forma agressiva por funcionário que proferiu a frase "é melhor parar, senão vocês vão ter problema". O episódio gerou constrangimento, repercussão psicológica e levou ao registro de boletim de ocorrência e à busca por apoio psicossocial.

Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT)
Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) (foto: Minervino Júnior/CB/D.A.Press)

Julgamento sobre uberização X pejotização adiado

Estava previsto na pauta do plenário do STF de ontem o processo em que se discute a existência ou não de vínculo de emprego entre motoristas de aplicativos e plataformas digitais, mas o julgamento foi adiado a pedido do Ministério Público do Trabalho e da Defensoria Pública da União. A questão é que a Organização Internacional do Trabalho (OIT) estabeleceu diretrizes internacionais sobre o trabalho em plataformas digitais, e o tema deve ser analisado. O caso — tema 1291 — tem repercussão geral e servirá como base para milhares de processos semelhantes em todo o país.

A uberização e a liberdade religiosa
A uberização e a liberdade religiosa (foto: Uber/Divulgação)

Defesa de Bolsonaro perde recurso no STM

Por unanimidade, o plenário do Superior Tribunal Militar (STM) negou recurso (agravo interno criminal) apresentado pela defesa de Jair Bolsonaro contra rejeição do pedido de suspeição formulado contra o ministro tenente-brigadeiro do ar Francisco Joseli Parente Camelo para julgar o processo sobre declaração de indignidade ou incompatibilidade para com o oficialato contra o ex-presidente. A defesa de Bolsonaro sustentou que o ministro demonstrou parcialidade ao conceder entrevistas, em 2023, nas quais afirmou acreditar que militares eventualmente envolvidos nos atos de 8 de janeiro seriam punidos, caso os processos chegassem à Justiça Militar. Relatora do caso, a presidente do STM, ministra Maria Elizabeth Rocha, entendeu que as declarações de Joseli Camelo foram genéricas e não se referiam nominalmente ao ex-presidente.

Jair Bolsonaro
Bolsonaro passou por cirurgia no ombro direito (foto: Fábio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil)

Cadê as mulheres?

TST mantém condenação de R$ 300 mil à empresa Ortobom por contratar apenas homens em 24 cargos de gerência. Para os ministros da Corte, a empresa não conseguiu explicar objetivamente o motivo da ausência de mulheres nas funções de liderança.

mulheres
mulheres (foto: kleber sales)

Muitos processos para poucos juízes

Levantamento publicado no Anuário da Justiça Brasil 2026, da Editora ConJur, mostra que o volume de novos processos avançou em ritmo muito superior ao crescimento do quadro de magistrados. Em 2025, a Justiça brasileira recebeu cerca de 40,7 milhões de novas ações. Em 2009, quando o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) passou a adotar a metodologia estatística atualmente utilizada, esse número era de, aproximadamente, 25,3 milhões. O aumento de 61% na demanda de novos processos contrasta com a expansão de apenas 18% do número de juízes no período, que passou de 13.683 para 16.108 magistrados em 16 anos. O Estado continua entre os principais litigantes, especialmente nas execuções fiscais e nas demandas previdenciárias e assistenciais, enquanto áreas como trabalho, direito criminal e direito do consumidor concentram milhões de novos casos todos os anos.

 

Frase

"Há um dado estrutural que não pode ser ignorado: a demanda cresceu muito mais do que o número de magistrados. Isso significa que cada juiz passou a carregar uma carga de trabalho cada vez maior, em processos mais complexos e com maior exposição pública. A sociedade cobra uma Justiça mais rápida, e essa cobrança é legítima, mas é preciso compreender que eficiência também depende de estrutura, de equipes adequadas, de investimento e de uma carreira capaz de atrair e manter profissionais altamente qualificados", Vanessa Ribeiro Mateus, presidente da AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros)

 

Vanessa Ribeiro Mateus, presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB)
Vanessa Ribeiro Mateus, presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) (foto: Divulgação)

  • Vanessa Ribeiro Mateus, presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB)
    Vanessa Ribeiro Mateus, presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) Foto: Divulgação
  • Fernando Scaff, professor da Universidade de São Paulo (USP)
    Fernando Scaff, professor da Universidade de São Paulo (USP) Foto: Divulgação
  • Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT)
    Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) Foto: Minervino Júnior/CB/D.A.Press
  • A uberização e a liberdade religiosa
    A uberização e a liberdade religiosa Foto: Uber/Divulgação
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    mulheres Foto: kleber sales
  • Bolsonaro passou por cirurgia no ombro direito
    Bolsonaro passou por cirurgia no ombro direito Foto: Fábio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil
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postado em 25/06/2026 15:01 / atualizado em 25/06/2026 15:17
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