Festa popular

Secretário de Cultura diz que governo não concederá alvará para o carnaval

'Havendo determinação que não haverá carnaval financiado pelo estado, não haverá liberação de área pública pra isso', afirmou Bartolomeu Rodrigues

Correio Braziliense
postado em 20/10/2020 12:14 / atualizado em 20/10/2020 12:16
 (crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
(crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

Um dia após o anúncio da decisão de que as festas oficiais de ano-novo e de carnaval não serão realizadas no Distrito Federal, o secretário de Cultura e Economia Criativa, Bartolomeu Rodrigues, voltou a falar no assunto e esclareceu que "não haverá liberação de área pública" pelo governo para a realização da folia momesca, mesmo para o caso de blocos de rua que busquem fazer o evento sem financiamento público.

Ao Correio, ele disse que só se houver uma mudança radical no cenário pandêmico é que a decisão poderá ser revista. "Mas não vislumbro. Não acredito, sou realista nesse ponto. Não estamos cancelando o carnaval, estamos dizendo que não haverá financiamento do carnaval, recurso público empregado em atividade que ofereça risco de saúde à população. Se o estado não se envolver no carnaval, não vai fornecer alvará. E precisa de alvará. Ou seja, havendo determinação que não haverá carnaval financiado pelo estado, não haverá liberação de área pública pra isso", afirma.

Nas últimas edições, os investimentos públicos nas duas festas foram da ordem de R$ 4 milhões no carnaval e de R$ 2,6 milhões no ano-novo.

O anúncio foi lamentado pelos integrantes dos blocos de rua e das escolas de samba do Distrito Federal. Havia uma expectativa de que a capital federal fizesse como as cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro e optasse apenas pelo adiamento da festa popular mais tradicional do Brasil, com data ainda a ser definida.

“A palavra cancelamento não é apropriada. O correto seria adiar o carnaval. Fazê-lo em junho de 2021. Isso porque estamos num contexto de pandemia que matou 150 mil pessoas. Não tínhamos a dimensão dos efeitos dela, que traz a questão das aglomerações. No âmbito do coletivo, isso tudo é preocupante”, comenta Dayse Hansa, uma das articuladoras do coletivo de blocos Fora do Armário (que conta com 36 blocos LGBTs).

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