Artes Visuais

Com série de bordados, Suyan de Mattos reflete sobre a dor e a cura

A artista inaugura exposição com 65 obras confeccionadas em bordado. A mostra está disponível on-line e no Museu Nacional da República

*Mila Oliveira
postado em 30/04/2021 14:32 / atualizado em 30/04/2021 16:14
 (crédito: Cleber Cardoso Xavier)
(crédito: Cleber Cardoso Xavier)

A carioca Suyan de Mattos é uma sobrevivente. Radicada no Distrito Federal, a artista plástica há muitos anos, teve que se reinventar depois de um grave problema de saúde. Em 2009, a artista ficou paraplégica e surda devido a uma doença chamada encefalomielite. Suyan não se satisfazia mais com a pintura e migrou para o bordado. No início ela usou a arte de tecer como forma de “tratar o coração machucado”, devido às dores que sentia. É parte de um trabalho produzido nessa linha que ela mostra em A Mulher forte arrancou a dor e a aprisionou numa caixa (sob a alegação que ela representa o passado), em cartaz a partir desta sexta-feira (30/4) hoje no Museu Nacional da República, fechado por causa da pandemia, e no Museu de Arte de Goiânia. 

Há cinco anos, em 2016, a artista começou a usar o bordado para falar da sua deficiência. Suyan conta que é seu “processo de cura”, no qual consegue expor e refletir sobre seus sentimentos. A artista conta que mistura suas experiências de vida para “tecer narrativas e produzir um padrão individual, único e inimitável [...]". "Passei a ser bordadeira do meu destino”, conta. Atualmente, a artista consegue ouvir por meio de aparelhos auditivos e caminhar com auxílio de uma bengala.

Montada para ser exibida em formato virtual, A mulher forte arrancou a dor e a aprisionou numa caixa (sob a alegação que ela representa o passado) contém 65 trabalhos da artista reunidos sob a curadoria de Ralph Gehre.

A exposição contém séries de bordados sobre seda rosa, branca e pano de chão; uma série com moldes de aparelhos auditivos; outra sobre o patuá, amuleto usado no Candomblé; uma série sobre flanelas em cores brancas, amarelas e laranjas; e objetos construídos com flanelas e tecidos de seda com formatos do cérebro humano.

Suyan espera que as obras consigam refletir sua própria dor, pois acredita que, assim, pode ajudar outras pessoas.”Não sou a única que sente dor, o mundo sente dor e espero poder conectar as pessoas a partir disso”, diz.

Suyan é graduada em artes pela Universidade de Brasília (UnB), tem pós-doutorado pela Universidade de Buenos Aires (UBA) e doutorado em História da Arte pelo Instituto de Investigações Estéticas, da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM). Participou da curadoria de diversas mostras e expôs em vários lugares do Brasil e do mundo. Essa exposição conta com recursos da Lei Municipal de Incentivo a Cultura de Goiania/GO.

*Estagiária sob supervisão de Nahima Maciel

Serviço

Exposição: A Mulher forte arrancou a dor e a aprisionou numa caixa (sob a alegação que ela representa o passado)

Em cartaz a partir de 30 de abril, às 19h, no site do Museu de Arte de Goiania (MAG) e no Museu Nacional da Republica (MuN)

  • Suyan de Mattos
    Suyan de Mattos Foto: Bruno Peres/CB/D.A Press
  • Obras da Exposição: A Mulher forte arrancou a dor e a aprisionou numa Caixa  - sob a alegação que ela representa o passado
    Obras da Exposição: A Mulher forte arrancou a dor e a aprisionou numa Caixa - sob a alegação que ela representa o passado Foto: Cleber Cardoso Xavier
  • Obras da Exposição: A Mulher forte arrancou a dor e a aprisionou numa Caixa  - sob a alegação que ela representa o passado
    Obras da Exposição: A Mulher forte arrancou a dor e a aprisionou numa Caixa - sob a alegação que ela representa o passado Foto: Cleber Cardoso Xavier
  • Obras da Exposição: A Mulher forte arrancou a dor e a aprisionou numa Caixa  - sob a alegação que ela representa o passado
    Obras da Exposição: A Mulher forte arrancou a dor e a aprisionou numa Caixa - sob a alegação que ela representa o passado Foto: Cleber Cardoso Xavier
  • Obras da Exposição: A Mulher forte arrancou a dor e a aprisionou numa Caixa  - sob a alegação que ela representa o passado
    Obras da Exposição: A Mulher forte arrancou a dor e a aprisionou numa Caixa - sob a alegação que ela representa o passado Foto: Cleber Cardoso Xavier
  • Obras da Exposição: A Mulher forte arrancou a dor e a aprisionou numa Caixa  - sob a alegação que ela representa o passado
    Obras da Exposição: A Mulher forte arrancou a dor e a aprisionou numa Caixa - sob a alegação que ela representa o passado Foto: Cleber Cardoso Xavier
  • Obras da Exposição: A Mulher forte arrancou a dor e a aprisionou numa Caixa  - sob a alegação que ela representa o passado
    Obras da Exposição: A Mulher forte arrancou a dor e a aprisionou numa Caixa - sob a alegação que ela representa o passado Foto: Cleber Cardoso Xavier
  • Obras da Exposição: A Mulher forte arrancou a dor e a aprisionou numa Caixa  - sob a alegação que ela representa o passado
    Obras da Exposição: A Mulher forte arrancou a dor e a aprisionou numa Caixa - sob a alegação que ela representa o passado Foto: Cleber Cardoso Xavier
  • Obras da Exposição: A Mulher forte arrancou a dor e a aprisionou numa Caixa  - sob a alegação que ela representa o passado
    Obras da Exposição: A Mulher forte arrancou a dor e a aprisionou numa Caixa - sob a alegação que ela representa o passado Foto: Cleber Cardoso Xavier
  • Obras da Exposição: A Mulher forte arrancou a dor e a aprisionou numa Caixa  - sob a alegação que ela representa o passado
    Obras da Exposição: A Mulher forte arrancou a dor e a aprisionou numa Caixa - sob a alegação que ela representa o passado Foto: Cleber Cardoso Xavier
  • Selfie de Suyan de Mattos
    Selfie de Suyan de Mattos Foto: Suyan de Mattos
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