Justiça

Drauzio Varella e Globo são condenados a pagar R$ 150 mil a pai de menino morto

A indenização será por danos morais após entrevista exibida no "Fantástico" em março do ano passado

Victória Olímpio
postado em 24/06/2021 16:04 / atualizado em 24/06/2021 16:54
Drauzio Varella abraça a detenta Suzy em reportagem do Fantástico -  (crédito: TV Globo/Reprodução)
Drauzio Varella abraça a detenta Suzy em reportagem do Fantástico - (crédito: TV Globo/Reprodução)

Drauzio Varella e a TV Globo foram condenados a pagar R$ 150 mil de indenização por danos morais a pai de menino morto aos nove anos, após entrevista com a detenta Suzy Oliveira, condenada pelo assassinato da criança, ser exibida no Fantástico, em março do ano passado. O médico entrevistou a mulher para o quadro da revista eletrônica semanal.

No processo consta que o pai teve novo abalo psicológico após reviver os fatos depois de ser procurado pela imprensa para se posicionar sobre o programa. De acordo com o Uol, o texto da ação menciona como argumento a "piedade social" devido à repercussão sobre a entrevista de Suzy.

"Por todo o exposto, julgo parcialmente procedente o pedido inicial para condenar solidariamente os requeridos ao pagamento ao autor de indenização por danos morais no importe de R$ 150.000,00 devidamente corrigido e acrescido de juros de 1% ao mês, ambos desde a data da sentença até o efetivo pagamento".

O assunto foi a tona nas redes sociais após o deputado estadual Douglas Garcia (PSL-SP) divulgar documentos judiciais apontando Suzy como condenada pelo homicídio da criança. Ainda ao site, os advogados da emissora e do médico afirmam que vão recorrer a decisão.

"Recorreremos da sentença. A reportagem jamais mencionou os nomes, exibiu as imagens ou expôs as intimidades das vítimas das presas ou dos familiares das vítimas. O único foco da pauta jornalística era revelar a situação da população transexual encarcerada, e não perquirir as causas motivadoras das condenações das entrevistadas. Quaisquer ofensas ao autor deveriam ser debitadas, portanto, àqueles que, sem o cuidado dos jornalistas, efetivamente reavivaram e exploraram as circunstâncias do crime ocorrido há mais de dez anos", finaliza.

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