Pela democracia

Paulo Coelho oferece cobrir gastos de festival recusado pela Funarte

O Festival Jazz do Capão foi recusado pela Funarte com um parecer que citava Deus; Paulo Coelho ofertou os R$ 145 mil pedidos para realização do evento

Correio Braziliense
postado em 14/07/2021 11:56
 (crédito: Twitter/Reprodução)
(crédito: Twitter/Reprodução)

Sem verba após uma recusa da Funarte, o Festival Jazz do Capão pode ser resgatado com a ajuda do autor Paulo Coelho e da esposa Christina Oiticica. O escritor ofereceu arcar com os R$ 145 mil que o evento pedia para a Lei Ruanet. O parecer técnico da Funarte que reprovou o projeto diz que ele está  “desconfigurado” dos conceitos de arte e que esta deve ser, de alguma forma, ligada ao conceito de sagrado e divino. O texto usa Deus como argumento para desqualificar o festival de jazz, além de concluir que o projeto não deve ser apoiado pelo Estado por ter publicado, em página no Facebook, que é contra o fascismo e pela democracia.

O principal motivo da manifestação e oferta de Paulo Coelho é pela crença de que a recusa de direcionar verba ao Festival teve caráter ideológico. No texto de reprovação foi citado uma postagem de junho de 2020 em que o evento se posiciona como antifascista e a favor da democracia. A Funarte afirmou que isso seria um slogam do Festival Jazz do Capão, e que o fato “complementou os fundamentos” para a reprovação do projeto.

Na postagem em que oferece arcar com o evento, Paulo Coelho aproveita para posicionar-se por escrito em relação ao ocorrido. “A Fundação Coelho & Oiticica se oferece para cobrir os gastos do Festival do Capão, solicitados via Lei Rouanet (R$ 145,000). Entrem em contato via DM pedindo a alguém que sigo aqui que me transmita. Única condição: que seja antifascista e pela democracia”, escreveu Coelho no Twitter e no Instagram.

Festival Jazz do Capão

O Festival Jazz do Capão é um evento realizado desde 2010, com duas pausas em 2013, por falta de verba, e 2020, devido à pandemia. Passaram pelos palcos do evento nomes como Hermeto Pascoal, João Bosco, Dori Caymmi, Michaella Harrison, Kapelle 17, entre outros artistas.

Em 2021, o evento preparava uma edição virtual e entrou com o pedido de verba na Lei de Incentivo Federal, por se tratar de evento de ação continuada com captação nos últimos três anos. No entanto, o projeto foi recusado. Entre os argumentos foi citada uma fala de 1750 do músico Johann Sebastian Bach sobre a música ter o papel de dar “Glória a Deus e renovar a alma”, além de citar que arte deve “se associar ao Criador” e fazer uma comparação com canto gregoriando. “Por inspiração no canto gregoriano, a Música pode ser vista como uma Arte Divina, onde as vozes em união se direcionam à Deus”.

Baseado nesses argumentos, o parecer técnico final do governo do presidente Jair Messias Bolsonaro afirmou que o evento não possui condições técnicas ou artísticas para ser aprovado.

O secretário especial de cultura Mário Frias também se posicionou na última segunda-feira (12/7), sobre o caso. “Enquanto eu for Secretário Especial da Cultura ela será resgatada desse sequestro político/ideológico!”, escreveu o Frias nas próprias redes sociais.

 

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