Música

Serjão Loroza fala sobre amor próprio e negritude em nova música

Ao Correio, cantor fala que está passando por um letramento racial e que quer dar espaço para o mostrar a beleza do povo negro em novo single 'Moprê'

Pedro Ibarra
postado em 25/12/2021 06:00
 (crédito: Gabriel Monge/Divulgação)
(crédito: Gabriel Monge/Divulgação)

"Môprê/ Deixa eu te dizer/ Que o que a gente tem/ Muita gente quer também", canta Serjão Loroza em Môprê, nova composição em parceria com a cantora Doralyce. A canção faz parte de um nova fase do cantor, em que ele decidiu que quer exaltar o amor, a pele preta e a forma como se vê para o mundo.

Loroza explica que Môprê é a forma como os casais negros se chamam, um jeito fofo de falar "Meu Preto". "É uma maneira carinhosa de a gente se relacionar com os nossos", continua o compositor, que considera imprescindível que as pessoas amem a si mesmas também, principalmente as pessoas negras. "É importante falar dessas coisas e criar essa autoestima", completa.

O cantor acredita que por décadas as pessoas negras não se sentiram parte do padrão de beleza. "O padrão é uma coisa muito cruel, principalmente com os negros", pontua. Porém ele conta que encontrou formas de se amar e decidiu exaltá-las. "O meu padrão de beleza é meu espelho, porque eu percebi que esse padrão não foi instituído por alguém que se parece comigo", avalia Serjão. "As coisas da minha aparência que eram motivo de deboche agora são as coisas das quais eu mais me orgulho, que eu mais gosto em mim", adiciona.

"A gente quer de alguma maneira tentar retratar e refazer a imagem do negro, e desfazer as muitas maldades que foram feitas nesse país, entre elas a invasão, cinicamente chamada de descobrimento, e o sequestro, cinicamente chamado de escravidão", explica o ator. "Quanto menos se fala sobre o assunto, mais ele vai se tornando uma realidade cruel. A cada 20 minutos tem um caboclo preto que é assassinado no Brasil, eu poderia esperar minha hora chegar? Não, eu preciso fazer alguma coisa, urgentemente", complementa.

Agora é a hora de tratar sobre o tema, hora de mudar, sublinha Loroza. "Para mim, é importante, mesmo as vezes parecendo monotemático para muita gente, mas é uma coisa muito urgente", finaliza.

 


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