MÚSICA

Amaro Freitas arrebata público em apresentação no CCBB

Uma das estrelas do moderno jazz brasileiro, Amaro Freitas apresenta músicas autorais e homenageia ícones como Luiz Gonzaga e Wayne Shorter

As apresentações do pianista Amaro Freitas no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), na quarta (24/8) e na quinta-feira (25/8), arrebataram o público. No palco, o jovem instrumentista pernambucano literalmente desconstrói o piano, "primitiviza-o" e, depois, santifica-o com uma energia que vem dos tambores da África e passa pelo dedilhar de ícones seminais como Bill Evans, Thelonious Monk e Cecil Taylor.

No show de uma hora e meia, Amaro perfumou o clássico Carinhoso, em uma homenagem à força negra de Pixinguinha na música brasileira. Canção autoral, Plâncton é uma viagem ao fundo mar, profunda, experimental e orgânica. Todos os sonhos saem milagrosamente das notas do piano. "Poderia fazer com equipamentos e computadores, mas esse som vem da alma e vai para o coração do público", destaca o artista, em conversa com o Correio depois do show, no Simbaz, restaurante de comida africana na 412 Sul.

Outro mito lembrado por Amaro foi Wayne Shorter. Ele esgrimiu nas teclas pretas e brancas a bela FootPrints. Abrasileirando as notas, colocando a maresia pernambucana em cada compasso. Não se esqueceu também do mestre Luiz Gonzaga, com ABC do sertão.

Depois de uma recente turnê em festivais de jazz no verão europeu, Amaro se emociona ao lembrar do carinho do público por onde passou. "As pessoas não paravam de bater palma depois das apresentações. Eu me sentia famoso (risos)". Em outubro, volta ao continente para uma série de shows.

Em Dança dos martelos, a ancestralidade fala mais alto e faz Amaro mergulhar no caldeirão sonoro pernambucano-africano. Delirante. Amaro é uma joia negra.