Crítica

Inquietante beleza: confira crítica do mais novo filme de Sorrentino

Paolo Sorrentino esbanja fotogenia, no mais novo filme que assina, Parthenope, que conta com a deslumbrante e inteligente presença de Celeste Dalla Porta

Crítica // Parthenope — Os amores de Nápoles ★★★★

Com A grande beleza — vencedor do Oscar, Globo de Ouro e do Bafta —, o diretor Paolo Sorrentino invadiu as entranhas de Roma, com imagens de glamour quase estáticas, uma gama de músicas estarrecedoras e um jeitão à la Fellini bastante modernoso. As mesmas qualidades pairam em Parthenope, filme que concentra ações em Nápoles, a chamada Cidade nova, e que teria forte influência da sereia fundadora, quando na perspectiva da mitologia grega e que responderia por Partênope (a ala velha).

Reconhecido pela qualidade técnica, Sorrentino, além de, com Il divo, ter vencido do Prêmio do júri no Festival de Cannes, competiu à Palma de Ouro por outras seis vezes. No passado, o diretor tratou de sabedoria, em A juventude (com Michael Caine), e volta ao tema, com Parthenope, no qual este papel-título é dividido por Celeste Dalla Porta e Stefania Sandrelli (a estrela de Nós que nos amávamos tanto, em pequena participação), em idades bem diferentes. O capricho do filme está na direção de fotografia Daria D'Antonio, no desenho de produção de Carmine Guarino e na música de Lele Marchitelli.

Com "resposta pronta para tudo", Pathernope vive de elucubrações e, como futura professora, de avaliações nem sempre precisas para os seus estudantes, e, a reboque, traz uma beleza hipnotizante. Observadora atenta e ainda assim, sempre surpreendida por fatos, ela é volúvel, mas seletiva. Com discurso visual poderoso, o diretor, versado ainda em literatura (sendo autor de contos e romance), empreende por reflexões e traz elipses no filme cercado de glamour e do exame de uma elaboração falsa para a perfeição descrita (tanto na tela quanto na vida dos personagens).

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Entre flertes, tragédias e devoção à antropologia, Parthenope, que traz um quê de Fédra (a heroína de Jean Racine, no século 17), vai se relacionar com tipos como o escritor gay (papel de Gary Oldman), o Comandante (Alfonso Santagata), a bizarra professora de teatro Flora Malva (Isabella Ferrari), um bispo (Peppe Lanzetta) e o acadêmico Devoto Marotta (Silvio Orlando). Todos memoráveis.

 

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