
Crítica // Ato noturno ★★★
Inconformismo e descobertas são uma constante nos personagens explorados pelos cineastas e roteiristas Marcio Reolon e Filipe Matzembacher. Foi assim na realização de Beira-mar, e ainda no destino, entremeado por altas voltagens de sexualidade, reservado aos protagonistas do longa Tinta bruta.
Em Ato noturno, ética, fetiches e descontrole de impulsos sexuais fazem morada. Vocacionados à ruptura de padrões, Matias (Gabriel Faryas), um ator com sede pelo sucesso, e Rafael (Cirillo Luna), político às vésperas de concorrer em eleição são postos à prova. Ambientado em Porto Alegre, o filme demonstra as amarras impostas, numa espécie de recondicionamento social, para os papéis dos amantes clandestinos.
Situações de disputa se espalham pelo thriller em que Matias pretende ofuscar o colega Fábio (Henrique Barreira), com quem tem convívio superficial, no plano do trabalho e ainda no cotidiano de um apartamento dividido. No enredo, há ainda bom espaço para Ivo Müller, à frente de um personagem coadjuvante, mas decisivo.
Crimes e (des)confiança formam muralhas na interação entre os personagens que gozam de alguns fetiches: sentem excitação em exercer publicamente as suas privacidades. Rupturas na adequação à convivência ameaçam se instalar no filme que traz boas atuações, direção segura e climas intrigantes. Nada restritivos em termos visuais, Reolon e Matzembacher prestam uma divertida homenagem a Pedro Almodóvar e o seu marante A lei do desejo (1987), ao final do longa-metragem.
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