Crítica // A voz de Hind Rajab ★★★
Oito minutos: um tempo que separa a vida da morte, quando se trata da protagonista de A voz de Hind Rajab, candidato ao Oscar de melhor filme internacional, no Oscar, em que disputa com o brasileiro O agente secreto. No coração da narrativa está a menina de seis anos que, em 29 de janeiro de 2024, ficou entrincheirada ao norte de Gaza, no bairro de Tel al-Hawa. Dados verídicos estão dispostos no longa da Kaouther Ben Hania, lembrada pelos recentes, e também indicados ao Oscar, As 4 filhas de Olfa e O homem que vendeu sua pele.
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Dois paramédicos e seis familiares de Hind estiveram numa rede de violências nunca assumidas por agentes israelenses. A trama começa com lampejos de esperança para o salvamento da pequena palestina, cercada por onipresente tanque militar e que tem uma rota de fuga segura calculada, a muitos quilômetros de distância, em Ramalá, na Cisjordânia.
O plano de resgate, a burocracia e a coordenação de rotas, feitos numa central de atendimento telefônica, ocupam o primeiro plano, em que o som é primordial (são autênticas as falas da menina, num artifício que imprime certa inovação de linguagem de cinema). "Fica comigo" e "Vem me buscar" são alguns dos pedidos da solitária menina, enfiada num carro repleto de cadáveres de familiares. Longe dos pais, em situação de completo estresse, Hind, estudante da pré-escola na instituição Infância Feliz, imprime um atestado de realismo, em situação que espalha ansiedade junto ao espectador.
Entre os atores, há Motaz Malhees (na pele de Omar, um atendente de ligação, por demais envolvido com o resgate), Amer Hlehel (o chefe de Omar, Mahdi), Saja Kilani (Ranna, destacada para maior suporte de Hind) e Clara Khoury, no papel de uma supervisora. O call center da entidade de voluntários Sociedade do Crescente Vermelho fica francamente dependente dos planos da Vermelha Cruz.
A luta pela sobrevivência e uma onda aterradora de pânico, gerada pela distância da ambulância destacada para o resgate, atingem o atônito coordenador da ação, Mahdi, que tem a autoridade desafiada por Omar, funcionário respaldado por apoio psicológico, mas alterado à quinta instância.
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Bombardeios, zonas restritivas e a falta de imagens do local crítico da ação distendem o desgaste emocional de um filme necessário. Ladeada por corpos de parentes ensanguentados, Hind repassa ao público escolhas de negação (ela diz que eles "dormem") e repassa a desesperança ("Não gosto de nada", demarca). Registros fortes repassados no filme de Kaouther Ben Hania.
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