Cinema

Com finitude estridente: filme de terror propõe um som que convida a morte

Um roteiro fraco e um elenco bem mediano colaboram para o diretor Corin Hardy não pontuar grandes feitos

Crítica // O som da morte ★★

Um close num apito que marca cada jogada de um agitado jogo de basquete. Assim começa o mais recente filme do mesmo diretor do cultuado (por alguns) A freira, Corin Hardy. Oito anos daquele filme, vem o filme com roteiro de Owen Egerton; fraco que só. Frases pedantes são largadas a todo momento: "Todo mundo tem que morrer", "A morte é implacável" e "Viver depende de você". Tudo é bem forçado neste filme de terror que tem personagens que evocam a pecha de satanistas.

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Num vestiário, duelando com a morte, aquele que aparentava ser o protagonista Mason, o Horse (Stephen Kalyn) morre carbonizado, incendiando uma maldição. Meses passam, e um cachimbo misterioso (um artefato de valor histórico) entra na vida de Chrys (a eficiente Dafne Keen), recém-chegada à pequena Pellington em que vive o prima dela, Rel (Sky Yang), aficionado pelo heroico Revenger (o Vingador, de uma espécie de HQ).

Desencaminhados não faltam ao novo círculo de Chrys: vão de Noah (um jovem pastor que se diz "fã de Deus", e cultiva a venda de produtos para junkies de plantão) à fútil Grace (Ali Skovby), namorada do cínico Dean, passando ainda pelo perturbado professor Craven (Nick Frost).

Aos poucos, sabe-se que o cachimbo veio da Guatemala, e tem ligação com uma frase precisa: "invoque a sua morte". Com destino alterado pelo objeto asteca, as moças distribuem chutes a todo momento, para se defender, no longa que imprime suspense durante um movimentado Festival da Colheita. A entrada de Ellie (Sophie Nélisse) em cena atiça tópicos ligados à sexualidade de Chrys.

Mesmo que os demônios que ataquem diretamente personagens sejam esqueléticos e careçam de melhor acabamento, há algumas mortes assustadoras como a do rapaz "atropelado" sem carro e da grotesca violência no cenário de uma siderúrgica. Choque maior vem quando o espectador lembra da criminalidade ligada à saúde alheia e à capital. A vida real supera o filme em que uma profissional da saúde coloca em curso um "plano de ir e vir, na morte". Tudo muito bizarro e sem muito capricho.

 

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