MERCADO

Como Madonna mantém seu catálogo valendo mais de US$ 600 milhões

Entenda como a cantora transformou sua música em um império bilionário e o que você pode aprender sobre investimentos com a estratégia da 'Rainha do Pop'

Como Madonna mantém seu catálogo valendo mais de US$ 600 milhões -  (crédito: TMJBrazil)
Como Madonna mantém seu catálogo valendo mais de US$ 600 milhões - (crédito: TMJBrazil)

Você já parou para pensar por que, depois de 40 anos de carreira, a Madonna continua sendo uma das mulheres mais ricas e poderosas do mundo? Muita gente acha que é só por causa dos hits como Like a Prayer ou Vogue, mas a verdade é que a “Rainha do Pop” é, na verdade, uma das maiores estrategistas de negócios que o mercado musical já viu. As informações são do site especializado em mercado musical Moneyhits.

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Ela não apenas canta; ela gerencia sua carreira como se fosse uma grande multinacional.

No mundo das finanças, falamos muito sobre caluation, que é o cálculo de quanto uma empresa ou um artista vale no mercado. No caso da Madonna, especialistas estimam que o valor do seu catálogo de músicas ultrapasse os US$ 600 milhões (mais de 3 bilhões de reais).

Para chegar nesse número, os analistas usam uma conta baseada no EBITDA, que é o lucro que ela gera todo ano antes de descontar impostos e dívidas. No caso dela, esse lucro é multiplicado por até 22 vezes para definir o preço final do seu “tesouro” musical.

Mas como ela mantém esse valor tão alto por tanto tempo? O segredo está no controle. Em 2021, a Madonna fez uma jogada de mestre: ela fechou um contrato histórico com a Warner Music Group para trazer todas as suas músicas de volta para “casa”. Isso permitiu que ela centralizasse a gestão de seus direitos autorais. É como se ela fosse dona de um prédio luxuoso na Quinta Avenida, em Nova York (EUA): o espaço é limitado, todo mundo quer estar lá, e o aluguel (ou melhor, os royalties) nunca para de subir.

Diferente de artistas novos que precisam entregar até 80% do que ganham para as gravadoras (o que chamamos de Take Rate), a Madonna opera com contratos de Profit Sharing. Isso significa que ela divide os lucros de forma muito mais justa, ficando com a maior parte do dinheiro que sobra. Em turnês gigantescas, como a recente Celebration Tour, ela negocia para que a sua parte na Gross Revenue (receita bruta total) seja a maior possível, garantindo um Cash Flow (fluxo de caixa) bilionário.

Outro ponto importante é a renovação constante. Para que um artista não perca valor, ele precisa ser amado pelas novas gerações. A Madonna é mestre nisso, garantindo que suas músicas apareçam em algoritmos de redes sociais e games, mantendo o seu NPS (uma nota de satisfação do público) lá no alto, tanto com quem viveu os anos 80 quanto com a Geração Z. Isso faz com que o seu catálogo funcione como um Investimento de renda variável que só cresce, protegendo seus Masters (as gravações originais) de perderem valor para fundos de Private Equity (investidores agressivos).

Para o investidor que olha o mercado hoje, a Madonna é o exemplo máximo de value investing: investir em algo que tem valor real e duradouro. Ela provou que, com disciplina em contratos e uma visão clara de mercado, é possível transformar talento em um patrimônio que atravessa décadas.

Em um mundo onde a música é o “novo petróleo”, a Rainha do Pop continua sendo a refinaria mais eficiente da Warner Music e uma lição viva de como cuidar do seu próprio dinheiro.

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TB
postado em 03/04/2026 18:48
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