
Com texto de Nelson Motta e Pedro Brício, direção de João Fonseca e um elenco de 19 atores e nove músicos, Tom Jobim Musical chega a Brasília com temporada de apresentações no Centro de Convenções Ulysses até o dia 19 de abril. A peça, que tem 2h15 de duração, foi assistida por mais de 130 mil pessoas na última temporada e indicada a 12 prêmios.
A produção é estrelada por Elton Towersey, que interpreta Tom Jobim, e Leopoldo Pacheco como Vinicius de Moraes. O espetáculo tem como cenário o Rio de Janeiro dos anos 1950 e 1960 e inicia na juventude de Jobim em Ipanema, até chegar no pico do sucesso com a Bossa Nova, relembrando o show no Carnegie Hall em Nova York como um dos pontos altos. Figuras como João Gilberto, Elis Regina, Frank Sinatra, Elza Soares e Dolores Duran são referenciados no musical.
O espetáculo revive algumas das canções mais importantes da história da música brasileira como Garota de Ipanema, Chega de saudade, Águas de março e Wave, a peça relata a vida de Tom Jobim com as música amarrando as linhas narrativas.
Em entrevista ao Correio, o ator Elton Towersey fala sobre seu primeiro contato com a obra de Jobim, os momentos mais marcantes da peça e as expectativas para a temporada em Brasília.
Entrevista // Elton Towersey
Como foi o seu primeiro contato com o universo de Tom Jobim? Que tipo de preparação você fez para dar vida a esse personagem no palco?
Com 16 anos, nos meus estudos de harmonia, treinando para ser compositor, meu pai me desafiou a tirar uma música "de ouvido". Era Garota de Ipanema. Fiquei completamente perdido e chocado: como uma música pode ser tão popular e, ao mesmo tempo, tão complexa? Ali, fiz meu primeiro contato com o gênio musical que é Tom Jobim. Depois, devorei todos os vídeos na internet para captar os trejeitos e maneirismos do nosso maestro e poder personificá-lo bem em cena. Postura corporal, gestos, tom de voz… Queria que as pessoas pudessem enxergá-lo, em algum nível, ali no palco.
O que mais te surpreende ao mergulhar na história de Tom Jobim?
Como um gênio da música, um artista tão influente, um homem tão aclamado e admirado por todos, podia ser tão simples, carinhoso e despretensioso. Ele era bem-humorado e diplomático. Quanto mais eu pesquisava sobre ele, mais o admirava como ser humano, para além do compositor.
Tem alguma música do espetáculo que te emociona mais durante a apresentação?
Eu Sei Que Vou Te Amar. Sem dar spoilers: no espetáculo, o momento dramatúrgico em que essa música é cantada é muito especial e emocionante.
O que diferencia Tom Jobim — O Musical de outros musicais biográficos?
A grandeza do homem. O Brasil foi abençoado com muitos artistas marcantes e brilhantes, mas, a meu ver, Tom Jobim foi o maior. Sua música foi além — virou do mundo, e com razão. O homem era uma máquina de hits. É difícil assistir a esta peça e não cantar junto a cada número musical. A obra de Tom encantou a humanidade.
Depois desse projeto, como você percebe o legado de Tom Jobim?
Ele se imortalizou como um dos maiores compositores do século 20. Não dá para falar de composição sem mencionar Tom Jobim. Suas obras fazem parte do repertório mundial. Sua criação musical tornou-se uma marca do Brasil aos olhos do mundo.
Qual a expectativa para a apresentação na capital e qual sua relação com Brasília?
A imagem do nosso cartaz vem de uma foto do Jobim tirada em Brasília, que depois inspirou a famosa estátua no Arpoador. Brasília é o berço de obras como Água de Beber e Sinfonia da Alvorada. É também uma referência de arquitetura, um interesse de Jobim que precedeu sua carreira musical. Para mim, poder estar aqui, contando essa história brasileira — desse imenso artista nacional — é a soma de muitas realizações e uma honra patriótica. Espero que os brasilienses gostem do nosso trabalho.
Serviço
Tom Jobim Musical
Neste sábado, às 16h e às 20h, no Centro de Convenções Ulysses. Ingressos a partir de R$ 150 (meia entrada).
