Crítica // A cronologia da água ★★★★
Houve um encontro decisivo para a escritora Lidia Yuknavitch: ela teve como mentor o famoso autor Ken Kesey (interpretado por Jim Belushi), ninguém menos do que o criador de enredos de Uma lição para não esquecer, que virou filme clássico assinado por Paul Newman, e ainda Um estranho no ninho, o fenômeno setentista com participação de Jack Nicholson. Entre delicadeza e rusticidade, a diretora Kristen Stewart se interessa pela acidentada trajetória de Lidia (a excelente Imogen Poots, de Hedda e Extermínio 2).
Ainda no campo literário, o filme de Stewart traz o amargor de um marcante filme dirigido por Barbra Streisand, em 1991, O príncipe das marés, detido em drama narrado por Pat Conroy (morto em 2016). Nos dois filmes tudo conflui para abusos, e ainda pior, infantis. A violência foi constante para Lidia, entregue a um corrompido destino, em que impera o pai abusador, o asqueroso Mike (papel do ator e compositor alemão Michael Epp).
A estrela de Love lies bleeding: o amor sangra (dirigido por Rose Glass) aposta em manter toda a narrativa fragmentada e em mesclar sentimentos nobres e decadentes em Lidia. Para além da montagem cortante de Olivia Neergaard-Holm (que assinou a edição de Holy Spider e O aprendiz), Stewart contou com imagens poéticas e honestas de Corey C. Waters, diretor de fotografia. O potente registro integrou a mostra Um Certo Olhar do Festival de Cannes, contando, ainda, com o brilho de Thora Birch (de Beleza americana), no papel da irmã, Claudia.
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